
O projeto de extensão Afrocentrar Saúde Ilera Dudu e o Centro de Pesquisa Comunidades Virtuais, vinculados ao Departamento de Ciências da Vida (DCV), do Campus I da UNEB, em Salvador, foram contemplados na quarta edição do Prêmio Autocuidado em Saúde, da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (Acessa).
Através da iniciativa “Afrojogos: a saúde da comunidade negra em foco”, conquistaram o primeiro lugar na categoria “Comunicação e autoconhecimento”. A cerimônia de entrega do prêmio foi realizada em Brasília no último dia 19 de agosto.

Os afrojogos são uma iniciativa inovadora que desenvolveu cinco jogos de tabuleiro a partir de um processo colaborativo de pesquisa, extensão, memória comunitária e design participativo. Os recursos educativos remontam aos conhecimentos afrodiaspóricos e práticas de cuidado, convocando os jogadores a um processo de aprendizagem a partir da ludicidade.
Alinhado à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o projeto surgiu em 2022 na busca por promover o autocuidado e o bem-estar, a partir das particularidades biológicas, sociais, culturais, espirituais e territoriais da população negra.
Os afrojogos já desenvolvidos abordam temas como educação sexual, estresse, autoamor, saúde mental, saúde da pessoa idosa, prevenção de lesão e especificidades da pele negra. Eles estão disponíveis na plataforma Saber Aberto.
“São jogos que em sua narrativa, sua jogabilidade, utilizam de elementos da cultura negra, para que a gente possa conversar com essa comunidade a partir de uma relação muito mais próxima e causando mais empatia, mais imersão, mais envolvimento e, portanto, uma educação de saúde que seja mais significativa, tentando propiciar mudanças na vida dessas pessoas”, explica a professora Suiane Costa Ferreira, coordenadora do projeto Afrocentrar Saúde e do Centro de Pesquisa Comunidades Virtuais da UNEB.

Os afrojogos já foram aplicados em escolas públicas municipais e estaduais, assim como no território quilombola de Praia Grande na Ilha de Maré e em unidades de saúde da família em áreas periféricas da cidade de Salvador. Para agendar uma visita para aplicação basta entrar em contato por email.
“No currículo escolar e universitário, são jogos que operam como tecnologia contracolonial, ampliando repertórios e reorganizando referências. Eles mobilizam discussões sobre a promoção da saúde integral da população negra, acesso, acolhimento e o direito ao bem viver. É um brincar que lembra, cura e projeta futuro”, explica Carolina Pedroza, vice-coordenadora do Afrocentrar Saúde e do Comunidades Virtuais.