Dia da Visibilidade Trans é tema de encontro no Teatro UNEB

Público presente no evento “Nossos Corpos Importam”

“Conseguir acesso à saúde, sermos atendidos como qualquer cidadão, acessar o mercado de trabalho com facilidade sem se preocupar com os estereótipos padronizados, do que é ser homem ou mulher”, este é o sonho de Mayalla Kelly, mulher trans e técnica da coordenação de ensino médio da Secretária de Educação da Bahia.

Foi na busca por esses direitos que Mayanna participou, na tarde da última terça-feira, dia 31, do evento “Nossos Corpos Importam” – iniciativa de coletivos LGBTQIA+ baianos que reuniu a comunidade acadêmica, gestores e representantes de diferentes segmentos sociais para refletirem sobre a passagem do dia da visibilidade das pessoas trans.

O dia da visibilidade trans tem como objetivo ampliar a conscientização sobre o respeito à população LGBTQIA+, que representa as pessoas travestis, transexuais e transgêneras. O evento teve início com uma apresentação cultural e em seguida realizou uma série de homenageas as pessoas trans, bem como a aliadas da causa, que contribuem para as conquistas diárias deste grupo social.

O evento contou com a presença de autoridades, como representações do Ministério Público, do Executivo Estadual, do Legislativo, da Gestão da Universidade e de ativistas LGBTQIA+, que vieram em defesa do respeito a todos os corpos.

A reitora da UNEB, Adriana Mamori, como representante institucional, afirmou que a universidade trabalha para que todas as pessoas sejam respeitadas e valorizadas em cada espaço da sociedade.

Reitora presente no evento de Visibilidade Trans

“A UNEB é plural e diversa, por isso, a Instituição se insere no contexto do Dia da Visibilidade Trans com o compromisso de promover a inclusão e o respeito à diversidade. A universidade reafirma e defende que os direitos das pessoas trans, sejam celebrados, neste dia de conscientização, e ao mesmo tempo, busca ampliar a conscientização sobre a importância do amor, do cuidado e do empoderamento”, declarou a reitora.

Desde 2018, o Conselho Universitário da UNEB estabeleceu cotas de acesso as vagas dos cursos de graduação e pós-graduação para pessoas transgêneros, travestis, transexuais.

“A UNEB busca uma política de acesso para essa população, com a preocupação em estabelecer política de auxílio a esses estudantes, não só garantir o acesso, mas também na permanência deles, através da Pró-Reitora de ações afirmativas. A gente precisa pensar como a universidade pode contribuir com a continuação de políticas públicas e melhoria das nossas atividades dentro da universidade”, ressaltou a vice-reitora Dayse Lago, que também esteve presente no evento.

Em sua fala, Mayalla Kelly destacou a importância do Estado brasileiro promover a inclusão das pessoas trans nos espaços de poder para que as portas sejam abertas e as oportunidades cheguem aos invisibilizados.

Mayalla vê perspectivas de inclusão

“Poder atuar em um órgão público traz um impacto significativo em nossas vidas, porque a gente consegue alcançar dignidade com o básico, que é ter direito à moradia, à educação de qualidade, ao transporte, essas são coisas básicas mas que ainda faltam para a população trans”, declarou Mayalla, que atua na coordenação de Ensino Médio da Secretaria de Educação do estado da Bahia.

Márcia Teixeira, promotora de justiça do Ministério Público da Bahia, que atua na defesa dos direitos das pessoas LGBTQIAPN+ e no combate à LGBTfobia também marcou presença no evento. Ela destaca que a promotoria atende tanto às questões relacionadas a políticas públicas, quanto às questões ligadas às práticas criminais.

“Um exemplo de política pública voltada para a comunidade trans foi a elaboração do Formulário Rogéria, de avaliação de risco, que foi construído pelo Ministério Público em colaboração com o Conselho Nacional de Justiça”, lembrou Márcia Teixeira.

No contexto da data, vereadora do município de Salvador, Marta Rodrigues, enfatizou a necessidade de incluir políticas públicas e orçamento prioritários. “A universidade desempenha um papel crucial na formação e no debate sobre essas questões, influenciando, consequentemente, a criação de leis”, ressaltou Marta.´

Na câmara municipal Marta apresentou o projeto de lei nº 7859/2010, que garante o uso do nome social por transexuais e travestis. Ele foi sancionado em 25 de maio de 2010 e completa dezesseis anos em 2026. A motivação para a criação deste projeto relaciona-se diretamente à atuação do movimento LGBTQIAPN+ no enfrentamento da invisibilidade.

Texto: Marcus Gomes Fotos: Ingrid Oliveira