Emergência climática: UNEB reúne especialistas para discutir impactos e enfrentamento da crise

Ciclo de debates é promovido pela Fundação Maurício Grabois com instituições acadêmicas e OSCs

O planeta se aproxima rapidamente de limites críticos de aquecimento global. Projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam alta probabilidade da temperatura média global ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais antes de 2030, podendo se aproximar de 2°C ainda nesta década, caso mantenha-se o atual ritmo de emissões de gases de efeito estufa.

Diante desse cenário, a UNEB realizou, na tarde da última quinta-feira (26), uma roda de conversa com o tema “Emergência Climática: Políticas Nacionais para Enfrentar a Crise”, no Auditório do Centro de Pesquisa em Educação e Desenvolvimento Regional (CPEDR), no Campus I, em Salvador.

A mesa de diálogo reuniu a diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima (DPAR), Inamara Santos; o professor Elias Dourado, do Departamento de Ciências da Vida (DCV) do Campus de Salvador; e o comunicador Jaílton Andrade, do Instituto de Ação Ambiental da Bahia (Iamba).

Durante o debate, Inamara Santos destacou que os efeitos das mudanças climáticas atingem de forma mais intensa as populações em situação de vulnerabilidade social. “Atingidos mais intensamente são os grupos vulneráveis. Ondas de calor afetam a saúde e a educação, com escolas não climatizadas. Nesse contexto, emerge também a discussão sobre racismo ambiental e seus efeitos sobre a população marginalizada”, afirmou a representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

A diretora enfatizou ainda a necessidade de atuação integrada entre os entes federativos: “é essencial que sejam adotadas políticas públicas voltadas ao enfrentamento do aquecimento global. O fortalecimento de programas sociais e do SUS, aliado a uma transição energética inclusiva, é fundamental. Esse processo exige planejamento, justiça social e engajamento coletivo”, concluiu.

O professor Elias Dourado chamou atenção para os impactos diretos das mudanças climáticas na saúde pública, sobretudo entre as populações de baixa renda. Para o docente, há uma relação desigual entre os que mais contribuem para a crise climática e os que mais sofrem suas consequências.

“Os que mais poluem são os que menos sofrem os impactos, enquanto os mais vulneráveis são os mais afetados. O SUS precisa estar no centro dessa discussão”, destacou.

O professor também apresentou dados preocupantes sobre o avanço de doenças associadas às mudanças climáticas. “Em 2023, tivemos cerca de 1,5 milhão de casos de dengue e outras arboviroses. Em 2024, esse número saltou para aproximadamente 6 milhões. Além disso, cresce a incidência de problemas de saúde mental, como a ecoansiedade, especialmente entre os jovens”, explicou.

Já o comunicador Jaílton Andrade enfatizou a importância da participação social na construção e implementação de políticas climáticas. Ao abordar o Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima (PMAMC) de Salvador, ele defendeu o envolvimento ativo da população e o papel do judiciário na garantia do cumprimento das legislações ambientais.

“A participação cidadã é fundamental para que as diretrizes de políticas climáticas sejam efetivas, tanto na elaboração quanto na fiscalização. Esse engajamento é determinante para o sucesso da aplicação dessas medidas”, afirmou.

A atividade integrou o ciclo de debates sobre emergência climática promovido pela Fundação Maurício Grabois, em parceria com instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil, com o objetivo de ampliar o debate público sobre os desafios ambientais contemporâneos e fortalecer a construção de estratégias para o enfrentamento da crise climática no país. Na UNEB, a Secretaria Especial de Articulação Interinstitucional (Seai) e o CPEDR foram responsáveis pela organização.

Texto: Marcus Gomes/Ascom
Fotos: Michele Menezes/Ascom