Juazeiro: UNEB destaca ações de acessibilidade no Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo

Mateus Oliveira, estudante de Direito

Criado em 2007, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, é promovido no dia 2 de abril e destaca a importância da inclusão, do suporte multidisciplinar e das políticas públicas para as pessoas que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), no Campus III, em Juazeiro, as políticas públicas de inclusão saem do papel e se transformam trajetórias reais.

Um dos beneficiados é Mateus Oliveira, estudante do 6º período do curso de Direito. Natural de Casa Nova, no interior da Bahia, ele é um exemplo de que as políticas de cotas e ações afirmativas adotadas pela Universidade contribuem para a quebra do preconceito.

Diagnosticado com TEA aos 17 anos, Mateus precisou superar o medo e a falta de informação para enfrentar os estigmas que cercam o transtorno. Com o suporte da sua professora do ensino médio, ele transformou o diagnóstico em coragem para buscar seus sonhos acadêmicos.

Mateus foi aluno do Universidade Para Todos (UPT)

Seu primeiro contato com a UNEB foi em 2019, por meio do cursinho pré-vestibular gratuito Universidade Para Todos (UPT). Após três anos de dedicação ao programa, o estudante conquistou uma vaga na graduação de Direito. “Quando descobri o TEA, fiquei muito preocupado, mas ao mesmo tempo, percebi a importância em escutar os professores, que são grandes conselheiros. É como se a pessoa estivesse no escuro e eles dão aquele toque, como uma luz no fim do túnel.”, destacou Mateus. 

A escolha de Mateus pelo Direito veio em 2020, impulsionada por uma percepção crítica: a escassez de profissionais autistas no cenário jurídico, apesar dos avanços nas políticas de inclusão. Hoje, no 6º período, sua maior inspiração vem de exemplos como o desembargador Alexandre Morais Rosa, que em 2025 fez história ao se tornar o primeiro magistrado com TEA nível 1 do Brasil.

Histórias como a de Matheus Oliveira reforçam que a inclusão vai muito além do acesso à sala de aula; trata-se de garantir as condições reais para que o estudante tenha autonomia em sua formação. Ao longo dos anos a Uneb busca viabilizar uma estrutura de apoio que respeite as neurodivergências, contribuindo para que o ambiente acadêmico deixe de ser um obstáculo e passe a ser um espaço de possibilidades.

Inclusão e Acessibilidade

A UNEB adota a política de sobrevagas em cursos de graduação e pós-graduação para pessoas com deficiência, incluindo o Transtorno do Espectro Autista. Além disso, a Universidade possui a Secretaria de Acessibilidade e Inclusão (SAIN) que atua nos diversos campi da instituição através do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI).

Uma das frentes estratégicas do NAI é o programa de Monitores Apoiadores, composto por graduandos selecionados via edital para oferecer suporte acadêmico e garantir a acessibilidade dos discentes. Segundo a coordenadora do núcleo do DTCS III, a professora Jaíza Sammara, o monitor apoiador atua como um mediador fundamental no processo de ensino-aprendizagem. “Realizamos reuniões mensais para monitorar o progresso de cada aluno assistido. Nesses encontros, discutimos dificuldades específicas e alinhamos com o corpo docente as melhores formas de suporte pedagógico”, explica a coordenadora.

Texto e Foto: André Amorim e Júlia Gabriela ASCOM DTCS III