
O Departamento de Ciências Exatas e da Terra (DCET) do Campus I da UNEB promoveu, no último dia 1º de abril, o VIII Workshop em homenagem às contribuições das mulheres na ciência.
O evento, que reuniu pesquisadoras como Marilda Gonçalves (Fiocruz), contou com mesas de debate e oficinas voltadas ao fortalecimento da presença feminina no campo das ciências exatas.
Segundo dados do Censo da Educação Superior (Inep), a participação feminina nos cursos de Ciências Exatas registrou um crescimento na última década. Em dez anos, o percentual de mulheres matriculadas nessas áreas no Brasil saltou de 19% (2012) para 24,3% (2022).
Apesar de ainda serem minoria quantitativa, as mulheres acumulam contribuições históricas fundamentais para o desenvolvimento científico mundial. Entre os exemplos destacados durante o evento, figuram: Sophie Germain: matemática, física e filósofa francesa; e Marie Curie: física e química polonesa, única mulher a conquistar o Prêmio Nobel em dois campos científicos distintos.

“Muitas mulheres notáveis na história tiveram suas contribuições negligenciadas, chegando a usar pseudônimos masculinos para publicarem seus trabalhos nos séculos XVI e XVII”, explicou a professora Cristina Elyote, coordenadora do projeto “Elas nas Exatas”, responsável pela organização do workshop. Segundo ela, a iniciativa visa mostrar que as mulheres podem ocupar qualquer espaço.
Visibilidade e Incentivo
Idealizado em 2014, o projeto “Elas nas Exatas” busca dar visibilidade às pesquisas científicas femininas e incentivar crianças e adolescentes da rede pública de Salvador e do interior a ingressarem nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Para Anete Cruz, professora de matemática no Instituto Federal da Bahia (IFBA), barreiras históricas como a falta de apoio familiar e a ausência de modelos femininos ainda dificultam o acesso a esses espaços. Já a professora de Química da UNEB, Vânia Santos, reforça a necessidade de desmistificar a ideia de que homens possuem capacidades cognitivas superiores às das mulheres.
“Acreditamos que, por meio do projeto, as mulheres se sentirão mais valorizadas e perceberão seu potencial para engajamento na área”, pontuou Vânia. Ela destacou ainda que a divulgação de pesquisas e produtos tecnológicos desenvolvidos por mulheres é o caminho para dissipar mitos de inferioridade.
Desafios na Graduação
Nos cursos de Engenharia e Física, a realidade ainda é desafiadora, com um corpo docente predominantemente masculino. “A falta de incentivos e a percepção de que são cursos excessivamente difíceis podem desmotivar as estudantes”, ressaltou Vânia Santos.
A falta de apoio social também é um obstáculo relatado pelas estudantes. “Encontrei pessoas que tentaram me desencorajar, expressando surpresa pela minha escolha. Apesar das críticas, reconheço a importância da Física para o desenvolvimento do país”, relatou Nágila Duarte, estudante do sexto semestre de Licenciatura em Física.
A discente conta que está concretizando um projeto de vida. “Cursar Física hoje é a realização de um sonho antigo, que parecia distante, principalmente devido à necessidade de dedicação integral. A existência de um curso noturno tornou possível conciliar o estudo com outras responsabilidades”, disse Nagila.
O projeto “Elas nas Exatas” conseguiu reunir mulheres da área, criando uma rede de apoio e incentivo para que mais mulheres ingressem e permaneçam nesses espaços, historicamente ocupado por homens.
Marisi Ferreira, estudante do quarto semestre do curso de Física, da UNEB, sempre sonhou em produzir ciência. “Tudo é uma novidade, qualquer curso precisa de dedicação para conseguir alcançar o objetivo. Em 2024, ingressei no curso e estou muito satisfeita em estar aqui. Sempre gostei da área desde o ensino fundamental”, contou Marisi.
Texto e Fotos: Marcus Gomes