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Barreiras: UNEB promove workshop sobre Sistema de Informação da Agricultura Familiar amanhã (30)

O Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT), iniciativa interinstitucional também vinculada à UNEB, vai realizar o II Workshop Sistema de Informação da Agricultura Familiar (SIdAF).

O evento será promovido presencialmente amanhã (30), às 9h, no Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX da universidade, em Barreiras, com o apoio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater).

Durante a ação, que deve contar com presença de secretários municipais, representações de entidades e instituições públicas, a ferramenta será apresentada em seu estágio atual de desenvolvimento para uma validação coletiva.

Produto da tese de doutorado do pesquisador Ramão Jorge Dornelles, sob orientação de Marcos Antônio Vanderlei Silva, ambos docentes do DCH, o SIdAF deve ofertar apoio ao processo decisório em políticas públicas e privadas voltadas para o setor.

O sistema consiste em uma ferramenta, em ambiente web, que deve integrar os atores envolvidos com a agricultura familiar nos 14 municípios que compõem o Território de Identidade da Bacia do Rio Grande.

O PPGADT é um programa interdisciplinar promovido pela UNEB e pelas Universidades Federais do Vale do São Francisco (Univasf) e Rural de Pernambuco (UFRPE).

Imagem (destaque): Divulgação

Comunidade acadêmica do Campus de Barreiras recebe primeiras ações do Programa Reitoria em Movimento

Solenidade de Abertura do programa contou com discursos e reafirmação de compromissos da Administração Central

Gestores, estudantes, professores e servidores técnico-administrativos reuniram-se, nesta quinta-feira (10), para a Solenidade de Abertura do Programa “Reitoria em Movimento”, no Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus 9 da UNEB, em Barreiras.

Durante o evento, membros da Equipe Central de Gestão Universitária (ECGU) se apresentaram à comunidade acadêmica do DCH, colocaram-se à disposição para diálogo e encaminhamento das demandas locais.

Segundo a reitora da UNEB, professora Adriana Marmori, com base no acolhimento, no debate de ideias, na busca coletiva por soluções e em uma gestão democrática, inclusiva e participativa, será possível a conquista de “um outro patamar de universidade”.

“Me sinto acolhida e feliz em nosso campus. Viemos aqui para trabalhar. A nossa marca é essa aproximação com vocês, é estarmos aqui dialogando, vendo os problemas, mas, encaminhando as demandas, resolvendo. Levando para a gestão, vendo o que pode ser feito e planejando o nosso orçamento, para que a gente possa dar conta das demandas apresentadas”, destacou a gestora, que foi também diretora do DCH por dois mandatos.

Demandas e encaminhamentos

Solenidade de Abertura contou com gestores e representantes da comunidade acadêmica do DCH-9

Os gestores dialogaram sobre necessidade de melhorias infraestruturais e estruturais do departamento, protocolos de biossegurança para este novo momento de retorno gradual à presencialidade, acolhimento à comunidade acadêmica e sobre as perspectivas para o fortalecimento da oferta de cursos da UNEB no município.

“Damos as boas-vindas para a professora Adriana e toda a sua equipe, que estão aqui lançando esse programa importantíssimo para a gestão da nossa universidade. São diversos os desafios que teremos que enfrentar, todos nós, para nos adaptarmos e retornarmos com sucesso às atividades presenciais”, salientou o novo diretor eleito do DCH, professor Reginaldo Conceição Cerqueira.

Os participantes puderam também testemunhar a reafirmação do compromisso institucional para a realização de reformas no departamento, para a consolidação de laboratórios que atendam, sobretudo, ao curso de Engenharia Veterinária. Ações já planejadas nos últimos anos e atentamente acompanhadas pela atual equipe da Administração Central.

“É um prazer muito grande começarmos as atividades do Programa Reitoria em Movimento aqui no Campus de Barreiras. Essa aproximação é necessária, porque a construção de um espaço democrático, participativo e inclusivo se dá nas relações, na interação, no olho no olho. Aqui somos todos aprendizes e mestres. E, juntos, vamos pensar em como ofertar ações, projetos e parcerias com qualidade”, sinalizou a vice-reitora, professora Dayse Lago.

A transferência do Gabinete da Reitoria para o interior, já nesta primeira ação, contou também com a participação do chefe de gabinete, Pedro Daniel Souza, do assessor chefe da Reitoria, Sérgio São Bernardo, e dos pró-reitores de Ensino de Graduação (Prograd), Gabriela Rêgo Pimentel, de Pesquisa e Ensino de Pós-Graduação (PPG), Tânia Hetkowski, de Extensão (Proex), Rosane Vieira, de Administração (Proad), João Rocha, e de Infraestrutura (Proinfra), Fausto Guimarães, além das assessoras da Reitoria, Rita Chagas, e de Comunicação (Ascom), Wânia Dias.

Encontros e diálogos

Visita da Comitiva da Reitoria à Residência Universitária do campus: compromissos e encaminhamentos

A agenda da tarde do Programa Reitoria em Movimento foi com os docentes e técnicos administrativos do Campus 9, em Barreiras. Os gabinetes da Reitoria e da Prograd, da Proex e da PPG instalaram-se no DCH e receberam coordenadores de Colegiado de Curso e dos Núcleos de Pesquisa e Extensão (Nupe) e de Projetos de Extensão.

Para Mirian Pereira, servidora técnica-administrativa, a transferência da Reitoria para o Campus IX, durante esse período, é uma oportunidade de se aproximar da gestão central.

“Essa presença é muito importante para toda a comunidade do campus. Pudemos apresentar as nossas demandas olhando no olho dos gestores da Administração Central, através de um diálogo sensível e respeitoso. O Reitoria em Movimento é um programa que, ao descentralizar a gestão, nos acolhe, nos integra”, destacou a servidora.

Segundo o estudante Raycá da Silva, graduando em Letras, o programa é uma “maneira criativa e efetiva de acessar e acolher as demandas da comunidade acadêmica, buscando soluções”.

A professora, Loyana Dócio, destacou o caráter inclusivo e democrático da ação itinerante da Reitoria. “É muito importante que a Reitoria conheça de perto as nossas necessidades, para que pensemos juntos em estratégias resolutivas”, afirmou a docente.

A programação do dia foi encerrada com uma visita da Comitiva da Reitoria à Residência Universitária do campus. A reitora, a vice-reitora, os pró-reitores e assessores ouviram as demandas estudantis e, de modo coletivo, já sinalizaram soluções e estabeleceram encaminhamentos.

A reitora deixou o seu número de telefone com os estudantes presentes e frisou: “Vou acompanhar de perto todos os compromissos que assumimos aqui neste encontro. São demandas urgentes que serão solucionadas com a maior brevidade possível”.

Programa Reitoria em Movimento

O Programa Reitoria em Movimento possui a perspectiva de proporcionar à Administração Central a possibilidade de ampliar os espaços de escuta e diálogo com comunidade acadêmica e externa da UNEB.

“O Gabinete da Reitoria se coloca à disposição para construirmos, juntos, um trabalho que possibilite o crescimento da universidade e traga, sobretudo, o desenvolvimento das ações pensando cada campus. Queremos, a partir deste pontapé inicial, fazer uma gestão de aproximação entre a Reitoria e toda a comunidade acadêmica, desta grande UNEB e em sua grande multicampia”, explicou o chefe de gabinete, professor Pedro Daniel Souza.

A previsão do programa é construir uma agenda de encontros com os públicos de todas as unidades acadêmicas da universidade, para conhecer as realidades e as necessidades locais em todos os territórios de identidade da Bahia.

Professora Adriana Marmori discursa na Tribuna Popular da Câmara de Barreiras sobre novo reitorado e protagonismo feminino

Sessão especial contou com a presença de autoridades, familiares e membros da comunidade acadêmica

“Vocês nem imaginam o quanto estou feliz ao me colocar aqui na Tribuna Popular da Câmara Municipal de Barreiras! Aqui, desse lugar, vislumbro toda a minha trajetória, todos os caminhos trilhados, pessoas e lugares. Em minha alma vêm as lembranças dos momentos mais difíceis e dos momentos mais alegres. Sou desta terra! Sou da Bacia do Rio Grande! Sou do Oeste Baiano!”

Adriana: “precisamos reconhecer a realização de grandes projetos e responsabilidades às mulheres”

Com essas palavras a Reitora da UNEB, professora Adriana Marmori, iniciou o seu discurso na noite de ontem (9), durante a Tribuna Popular: Semana da Mulher, na Câmara Municipal de Barreiras.

A gestora, convidada pelo presidente da casa, Otoniel Teixeira, falou sobre o protagonismo das mulheres na contemporaneidade e sobre as perspectivas e desafios do novo reitorado da UNEB. “Falando daqui desta tribuna, na condição de uma mulher gestora e acompanhada na gestão por tantas outras mulheres, digo que precisamos reconhecer a realização de grandes projetos e grandes responsabilidades às mulheres, sobretudo neste insistente cenário de discriminação, de rendimentos ainda inferiores aos dos homens, mesmo com a escolaridade mais alta”, afirmou.

Adriana pontuou ainda que a vulnerabilização da mulher no processo histórico da formação da sociedade brasileira é algo que não podemos desprezar. “A colonização, a escravidão, o racismo, o machismo, o patriarcalismo e o patrimonialismo são fenômenos que influenciam os dados de desigualdades que ainda convivemos na contemporaneidade. Não nos abateremos, porque sabemos também das grandes realizações das gerações ancestrais de mulheres, que nos deixaram legados de luta e resistência”, frisou a reitora.

O presidente da Câmara, Otoniel Teixeira, comemorou a presença da reitora na tribuna popular e reforçou a importância do protagonismo feminino nos espaços de poder.

“Receber a professora Adriana aqui engradece muito os trabalhos da casa e do legislativo, ainda mais neste mês especial em que estamos debatendo, ao longo das sessões, o tema do crescimento e protagonismo da mulher. Tendo ela como reitora, é motivo de grandeza para a nossa cidade e para a educação da nossa cidade. É Barreiras sendo vista no estado da Bahia”, celebrou o vereador.

Perspectivas e desafios da nova gestão

A UNEB lança, nesta semana, no campus de Barreiras, o Programa Reitoria em Movimento, uma iniciativa que busca aproximar a Reitoria da comunidade acadêmica e da comunidade externa para dar apoio às ações que oportunizam a descentralização da gestão universitária e a ampliação da autonomia político-administrativa dos departamentos da Universidade do Estado da Bahia.

“Estou aqui acompanhada da minha vice-reitora, a professora Dayse Lago, e com parte da minha equipe de gestão, para iniciar o plano piloto do Programa Reitoria em Movimento, que coincide com a convicção de que o caráter multicampi e multiterritorial é a melhor forma de darmos conta de atender às aspirações mais urgentes da população baiana”, explicou.

O programa considera as discussões e contribuições recebidas durante o período de campanha eleitoral para a Reitoria da UNEB no quadriênio 2022-2025, que possibilitaram a redação do Projeto de Gestão da chapa ancorada em uma defesa cujo lema era: “Por uma UNEB: inclusiva, autônoma e democrática”.

Homenagem e reconhecimento

A reitora celebrou com gestoras da universidade, representantes políticas e lideranças barreirenses

Participaram da sessão 15 vereadores, que a homenagearam com falas fortes, acolhedoras e, sobretudo, de reconhecimento e valorização de sua trajetória de vida, pessoal e profissional.

“Eu saí da UNEB, mas a UNEB não sai de mim. Tudo o que aprendi devo a essa universidade. Sou colaboradora da UNEB e continuarei sendo enquanto vida eu tiver. Foi nesta universidade que aprendi a socializar conhecimento e a ser transparente em nas ações e, como mulher, saber que lá é também um espaço em que se trava lutas diárias em favor das mulheres”, enfatizou a vereadora Carmélia da Mata.

Vice-reitora da UNEB, professora Dayse Lago registrou os seus agradecimentos pela oportunidade de participar do evento. “Me emocionei muito, porque ouvi nas falas das mulheres lutas comuns de todas nós”, afirmou.

A reitora foi também homenageada por seus familiares, representados pelo seu irmão

“É importante para a UNEB ser representada por uma figura como a professora Adriana, uma pessoa de determinação, de consciência do seu papel e sobre o que a universidade fez e poderá fazer pela emancipação das pessoas”, destacou a gestora.

A reitora foi homenageada também por sua família e amigos, por meio do seu irmão, Adilson Marmori, e pelas vereadoras da casa Alcione Rodrigues,  Carmélia da Mata, Doutora Graça Melo, Ivete Ricardi, Teteia Chaves e Silma Alves.

A sessão contou com a presença do Chefe de Gabinete da UNEB, Pedro Daniel Souza, e do Assessor chefe da Reitoria, Sérgio São Bernardo, além de pró-reitoras e assessores da universidade. Participaram ainda autoridades políticas e representações civis.

UNEB lança programa itinerante para descentralizar gestão e se aproximar dos departamentos

Com a perspectiva de ampliar seus espaços de escuta e diálogo com comunidade acadêmica e externa da UNEB, a Reitoria da universidade lança o programa “Reitoria em Movimento”.

A programação que dará início à ação itinerante será no Campus de Barreiras e acontecerá entre os dias 9 e 11 de março.

A transferência do Gabinete da Reitoria para o interior contará com a presença da reitora, Adriana Marmori, da vice-reitora, Dayse Lago, do chefe de Gabinete, Pedro Daniel Souza, como também de pró-reitores e assessores, todos com agendas específicas junto à área finalística, baseadas nas demandas do campus e da região onde está inserido.

“A multicampia da UNEB nos remete a pensar a universidade e a sua gestão de forma descentralizada. Esse deslocamento valoriza o papel dos departamentos, nos aproxima da comunidade acadêmica, contribui para outro olhar diante dos problemas, como também sinaliza os potenciais de desenvolvimento e possíveis soluções e parcerias localmente”, destacou a reitora Adriana Marmori.

Agenda de encontros

O programa foi desenvolvido considerando a demanda da comunidade acadêmica quanto à presença da Reitoria nos campi.

A previsão é construir uma agenda de encontros com os públicos de todas as unidades acadêmicas da universidade, para conhecer as realidades e as necessidades locais.

A intenção é criar canais e espaços de interlocução que ampliem o debate democrático sobre temas e questões que importam à sociedade, e que trazem desafios tanto localmente quanto em contextos mais amplos, buscando soluções de forma colaborativa.

“Consideramos imprescindível uma articulação com as comunidades unebiana e dos territórios em que os departamentos estão inseridos. Esse programa vai nos permitir viver o cotidiano de nossas unidades acadêmicas em todo o estado, conhecer suas potencialidades, além de discutir as questões locais e construir coletivamente as saídas para as demandas que nos afetam”, frisou a vice-reitora Dayse Lago.

Operacionalização do programa

A definição de agenda local levará em consideração a metodologia participativa, envolvendo os três segmentos (discente, docente, técnico) e comunidade externa, nas plenárias e/ou fóruns de discussões, e também em visitas a órgão locais.

A fixação da reitoria nos locais ocorrerá com horários de atendimentos previamente agendados pelo gabinete, em consonância com a Assessoria Regional e a Direção do Departamento.

Para continuidade das atividades, a gestão se organizou com o projeto em que serão instaladas as Assessorias Territoriais (Assesp-T), que constituem instâncias regionais de articulação político-administrativa permanente da Reitoria com os Departamentos da universidade, para maior interação e proximidade com a Administração Central da instituição.

“A presença da Reitoria em Movimento nos diversos campi da UNEB remete a um compromisso de campanha das professoras Adriana e Dayse, e traduz na interdependência e integração do Gabinete da Reitoria com os diversos espaços da gestão universitária nos territórios”, destacou o assessor-chefe da Reitoria, Sérgio São Bernardo.

UNEB reúne pesquisadores do Brasil, Tailândia e Romênia em ciclo de palestras sobre língua portuguesa

O Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX da UNEB, em Barreiras, por meio do Colegiado de Letras, realiza o III Ciclo de Palestras em Letras: Intercâmbios Intercontinentais entre os dias 6 e 10 de julho.

A programação, que será transmitida via Google Meets, contará com a participação do professor Korapat Pruekchaikul, da Universidade de Burapha, na Tailândia, da professora Antonia Verenca, da Universidade de Bucareste, na Romênia, e da professora Gabriela Pimentel, da UNEB.

As palestras, que destacam diferentes pesquisas relacionadas à língua portuguesa, acontecerão nos dias 6 de julho, às 10h, 8 de julho, às 14h, e 10 de julho, às 15h, respectivamente.

O evento é organizado com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da universidade.

Informações: gacc@uneb.br.

Nota Conjunta sobre a tendência da pandemia da COVID-19 no Oeste da Bahia

Coronavírus é uma família de vírus que causa infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (SARS-CoV-2) foi descoberto em 31 de dezembro de 2019 e provoca a doença chamada de COVID-19, tendo os primeiros casos registrados na China. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), a COVID-19 tem se disseminado de forma crescente no Brasil, com registro, até o dia 6 de maio de 2020, às 18:50h, de cerca de 125.218 casos confirmados e 8.536 óbitos, correspondendo a 6,8% de letalidade (https://covid.saude.gov.br/). De acordo com dados oficiais da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), o estado também vem acompanhando essa progressão, tendo até 6 de maio de 2020, às 18h, 4.301 casos confirmados com 160 óbitos e taxa de letalidade de 3,7% (http://www.saude.ba.gov.br/category/emergenciasem-saude/). Na região Oeste da Bahia foram registrados 19 casos confirmados nos seguintes municípios: Ibotirama (1); Santa Maria da Vitória (1); Barreiras (2); Barra (2); Luís Eduardo Magalhães (2); Serra do Ramalho (2); Oliveira do Brejinhos (4); Morporá (5) (Figura 1).

Segundo projeções de casos fundados no modelo SIR (Suscetíveis, Infectados e Recuperados), nota-se a tendência de crescimento exponencial na região Oeste da Bahia ao decorrer do tempo, com uma diferença significante com e sem o distanciamento social. Na Figura 2 observa-se que com distanciamento social (com quarentena) são projetados 19 casos, no entanto, sem distanciamento (sem quarentena) o quantitativo de pessoas infectadas poderia chegar a 351 casos. Dessa forma, em 10 dias, a não adesão ao distanciamento social contribuiria para o aumento de 332 casos. Essa diferenciação de casos com e sem distanciamento social se mantêm de forma significativa no decorrer do tempo, atingindo um maior quantitativo de cidades do Oeste da Bahia, como visto nas Figuras 3, 4, 5 e 6, podendo resultar no 50º dia com o registro de 6.994 casos com quarentena e 15.736 casos sem quarentena. Assim, essas projeções sugerem, fortemente, que as medidas de distanciamento social e redução do fluxo de pessoas em ambientes que promovam aglomeração como escolas, universidades, comércio, transportes coletivos municipais e intermunicipais podem achatar a curva da epidemia e a disseminação do novo coronavírus na região e, portanto, reafirmamos que é imprescindível não afrouxar as ações de distanciamento social e controle sanitário, com vistas a proteger a vida das pessoas e a capacidade de resposta do sistema de saúde regional.

Recomendamos à população que busque adotar as medidas de prevenção orientadas pelas autoridades de saúde, visando evitar que novos casos possam ocorrer na região Oeste da Bahia. Dentre elas, ressaltamos: a necessidade de lavar com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão, ou então higienizar com álcool em gel 70%; ao tossir ou espirrar, cubrir nariz e boca com lenço ou com o braço, ao invés de usar as mãos; evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas; manter uma distância mínima de cerca de 2 metros entre pessoas que estejam tossindo ou espirrando; evitar abraços, beijos e apertos de mãos; higienizar com frequência o celular e os brinquedos das crianças; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos; manter os ambientes limpos e bem ventilados; evitar circulação desnecessária nas ruas, estádios, teatros, shoppings, shows, cinemas e igrejas. Priorize ficar em casa e, se estiver doente, evite contato físico com outras pessoas, principalmente idosos e doentes crônicos, permanecendo em casa até melhorar; utilize máscaras caseiras ou artesanais feitas de tecido em situações de saída de sua residência; e coloque a máscara com cuidado para cobrir a boca e nariz, amarrando com segurança para minimizar os espaços entre o rosto e a máscara.

 

As evidências científicas apontam um colapso mais significativo sobre os sistemas e serviços municipais de saúde com baixa capacidade de estruturação e oferta de equipamentos, equipes e insumos para saúde, inclusive nos casos em que a demanda por leitos de terapia intensiva possa extrapolar a capacidade de oferta dos hospitais de referência (WALKER et al., 2020).

Diante da flexibilização no funcionamento do comércio em várias cidades da região Oeste da Bahia, salientamos que os dados de projeção apresentados ratificam a necessidade dos gestores municipais avaliarem, com cautela, os impactos dessa flexibilização sobre as medidas de distanciamento social necessária ao controle da pandemia da COVID-19. Isso porque, embora o crescimento e o impacto da pandemia da COVID-19 estarem relacionados com a composição etária da população, outras questões precisam ser analisadas como as comorbidades associadas à maior gravidade, perfil ocupacional dos infectados, planejamento e a disponibilidade de leitos.

Neste momento, torna-se importante analisar o cenário dos casos, possíveis riscos e capacidade de resposta da rede de saúde. A região Oeste da Bahia é um cenário preocupante, pois, de acordo com os dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB),apresenta baixa projeção na ampliação de leitos regionais para os casos graves da COVID-19, ao passo que a população ultrapassa 500 mil habitantes, distribuída em 37 municípios de pequeno e médio porte, com frágil estrutura (financeira, tecnológica e de pessoal) para ampliação de leitos e aquisição de ventiladores mecânicos. Conta-se com o planejamento de um número ínfimo de leitos de UTI para toda região, sendo 10 leitos no Hospital do Oeste e com contratualização de mais 20 leitos no Hospital Central de Barreiras-BA (BAHIA, 2020).

Destacamos que o aumento no número de pacientes com COVID-19 demanda uma necessidade de oferta de atendimentos na rede assistencial dos municípios e, caso essa rede de serviços não tenha capacidade instalada para operar com a demanda emergente, a situação poderá implicar em desassistência e risco de alta mortalidade dos casos graves.

Outra problemática em caso de descontrole da pandemia na região Oeste da Bahia está nos desafios da testagem para a COVID 19, em virtude do cenário nacional apresentar baixa capacidade de produção, montagem e distribuição dos kits de testagem; a dificuldade de compra de insumos no mercado internacional, diante da concorrência do Brasil com países desenvolvidos quanto ao suprimento de reagentes produzidos; e a limitada oferta e formação de profissionais com capacidade técnica para executar os tetes moleculares (REDE COVIDA, 2020).

Pesquisadores do mundo inteiro têm buscado o desenvolvimento ou a validação de estratégias farmacêuticas e não farmacêuticas para o tratamento da doença, vacinas para prevenção e elaboração de testes diagnósticos. Entretanto, estudos que envolvem o desenvolvimento de vacina ou medicamentos para o tratamento de doenças demandam tempo, pois as descobertas científicas estão pautadas em um processo metodológico que precisa ser seguido com seriedade e racionalidade, de modo a gerar dados seguros para que se alcancem conclusões sólidas. Todo esse processo envolve várias etapas, de modo que, para o surto da COVID-19, até o presente momento, não há nenhuma vacina que tenha se mostrado eficaz para que possa ser aplicada com segurança à população e também não há nenhum medicamento que possa ser usado no tratamento geral da doença. Ao contrário do que vinha sendo divulgado pela mídia, sobre os efeitos promissores da cloroquina e seus derivados no tratamento da COVID-19, os resultados ainda não são conclusivos sobre seu uso para o tratamento geral da COVID-19 (GAO e ZHENXUE, 2020; LIU et al., 2020; YAO e ZHANG et al., 2020). Além disso, em alguns países, inclusive no Brasil, os estudos com essa substância já foram interrompidos em função dos efeitos colaterais terem sido maiores do que os efeitos terapêuticos.

Por outro lado, diante da inexistência de vacinas e de medicamentos para o tratamento dessa doença, vários estudos têm demonstrado que as intervenções não farmacêuticas, como as medidas de distanciamento social, tornam-se essenciais de modo a contribuir para atrasar o impacto temporal da pandemia, reduzindo as taxas de transmissão da doença e, consequentemente, reduzindo o número de mortes. Essas medidas poderiam potencialmente fornecer um tempo valioso para a produção de vacinas e para a validação ou desenvolvimento de medicamentos antivirais, além de diminuir a sobrecarga repentina do sistema de saúde regional (MARKEL, STERN, CETRON, 2008; QUALLS et al., 2017; SHORT, KEDZIERSKA, SANDT, 2018; BARRO, URSÚA, e WENG, 2020; CORREIA, LUCK e VERNER, 2020; WALKER et al., 2020).

Diante do panorama relatado, externamos nossa preocupação com a flexibilização no distanciamento social nas cidades da região Oeste da Bahia. Essa preocupação também foi evidenciada no boletim informativo do Ministério da Saúde, do dia 28 de março de 2020, cuja equipe estuda a melhor forma de retornar às atividades com cautela e segurança a toda população. Também nos preocupamos com a segurança dos trabalhadores que retornarão às atividades, uma vez que estamos enfrentando escassez de insumos, como álcool gel 70% e de equipamentos de proteção individual como máscaras, toucas, luvas, aventais, inclusive para uso dos profissionais de saúde em serviços de todo o país. Por esse motivo, reiteramos a manutenção de ações de distanciamento social para população e um planejamento cauteloso e adequado para utilização dos serviços essenciais para população.

Nesse sentido, os Grupos de Trabalhos (GT’s) para o gerenciamento da COVID19 da UFOB, da UNEB e do IFBA orientam que sejam avaliados os impactos que as decisões tenhamocasionado sobre as medidas de distanciamento social e um possível aumento da circulação de pessoas nas ruas, com consequente crescimento da exposição da população ao risco de infecção pelo novo coronavírus. Torna-se imprescindível que se estabeleça uma metodologia descrita e transparente para implementação do modelo de distanciamento social e o planejamento e monitoramento do acesso e fluxo das pessoas nesses locais, garantindo equipes necessárias para orientação e o exercício do adequado controle sanitário, conforme orientações das autoridades de saúde nacional e estadual.

Diante dos dados apresentados, respeitosamente, recomendamos aos senhores gestores públicos da região para que mantenham as restrições às atividades não essenciais. Acreditamos que podemos agir simultaneamente no sentido de nos tornar mais fortes para enfrentamento da pandemia, minimizando seus impactos regionais.

REFERÊNCIAS

BAHIA (Estado). Plano Estadual de Contingências para Enfrentamento do Novo Corona Vírus – SARS nCoV2. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia: Salvador: Bahia, março, 2020. Disponível em:< http://www.saude.ba.gov.br/wpcontent/uploads/2020/03/Plano-de-Continge%CC%82ncia-Coronav%C3%ADrusBahia-20-de-marco-2020.pdf>

BARRO, R. J.; URSÚA, J. F.; WENG, J. The Coronavirus and the Great Influenza Pandemic: Lessons from the “Spanish Flu” for the Coronavirus’s Potential Effects on Mortality and Economic Activity. NBER Working Paper. n. 26866, p. 1-25, 2020. Disponível em: <doi: 10.3386/w26866>.

CORREIA, S.; LUCK, S.; VERNER, E. (2020). Pandemics Depress the Economy, Public Health Interventions Do Not: Evidence from the 1918 Flu (March 26, 2020). Disponível em: <https://ssrn.com/abstract=3561560> ou <http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3561560>

GAO J.; ZHENXUE, T.; Xu, Y. Breakthrough: Chloroquine phosphate has shown apparent efficacy in treatment of COVID-19 associated pneumonia in clinical studies. BioScience Trends, v. 14, n. 1, p. 72-3, 2020.

LIU, J.; CAO, R.; XU, M.; WANG, X.; ZHANG, H.; HU, H.; LI, Y.; HU, Z.; ZHONG, W.; WANG, M. Hydroxychloroquine, a less toxic derivative of chloroquine, is effective in inhibiting SARS-CoV-2 infection in vitro. Cell Discov., v. 6, n. 16., p. 2-4, 2020. Disponívelem: <doi: 10.1038/s41421-020 0156-0>.

MARKEL, H.; STERN, A. M.; CETRON, M. S. Non-Pharmaceutical Interventions Employed By Major American Cities During the 1918–19 Influenza Pandemic. Trans Am Clin Climatol Assoc., v. 119, p. 129–142, 2008.

QUALLS, N.; LEVITT, A.; KANADE, N.; WRIGHT-JEGEDE, N.; DOPSON, S.; BIGGERSTAFF, M.; REED, C.; UZICANIN, A. Community Mitigation Guidelines to Prevent Pandemic Influenza — United States, 2017. MMWR Recomm Rep. v. 66, n. RR-1, p. 1–34, 2017. Disponível em: <doi: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.rr6601a1.

REDE COVIDA. Ciência, Informação e Solidariedade. Boletim CoVida – Pandemia de COVID-19. 3 ed. Fundação Oswaldo Cruz da Bahia e Universidade Federal da Bahia, 2020. Disponível em:<http://covid19br.org/2020/04/20/rede-covida-alerta-para-papeldos-testes-e-desigualdades-na-pandemia/.

Severe Outcomes Among Patients with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) — United States. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. v. 69, p. 343-346, 2020. Disponível em: <doi: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6912e2external icon>

SHORT, K. R.; KEDZIERSKA, K.; SANDT, C. E. van de. Back to the Future: Lessons Learned From the 1918 Influenza Pandemic. Front Cell Infect Microbiol., v. 8, p. 119. Disponível em: <doi: 10.3389/fcimb.2018.00343>.

YAO, X.; YE, F.; ZHANG, M. et al. In Vitro Antiviral Activity and Projection of Optimized Dosing Design of Hydroxychloroquine for the Treatment of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2). Clinical Infectious Diseases: An Official Publication of the Infectious Diseases Society of America. 2020. Disponível em: <doi:10.1093/cid/ciaa237. ISSN 1537-6591. PMID 32150618>.

WALKER, P. G. T.; et al. The Global Impact of COVID-19 and Strategies for Mitigation and Suppression. Disponível em: <https://www.imperial.ac.uk/media/imperialcollege/medicine/sph/ide/gidafellowships/Imperial-College-COVID19-Global-Impact-26-03-2020v2.pdf>.

Barreiras, 07 de maio de 2020

Grupo de Trabalho para Gerenciamento do COVID-19 da UFOB
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – Barreiras
Universidade do Estado da Bahia – Campus IX – Barreiras

SECONBA: Semana da Consciência Negra promove ampla programação em Barreiras

A UNEB, por meio do Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX, em Barreiras, está realizando a 15ª Semana da Consciência Negra de Barreiras (Seconba), com ampla programação que se estende até hoje (21) no Centro Cultural Rivelino de Carvalho, no município, 

O evento tem como tema Ancestralidades e objetiva o combate aos preconceitos étnicos, de cor, raça e suas interseções, bem como o debate, apropriação, difusão do conhecimento e a interação e integração dos grupos, povos, comunidades e nações do país.

A iniciativa, promovida pelo Coletivo Seconba, reúne também mesas-redondas, comunicações orais, oficinas e minicursos, exibição de filmes e lançamento de livros e da terceira edição da Revista Coletivo Seconba.

O coletivo também está comemorando mais uma edição do curso de extensão Estudos Africanos, Afro-brasileiros e Indígenas

Informações: Campus IX/Barreiras – tel. (77) 3612-6744.

Imagem: Divulgação.

UNEB, 36 anos: Agricultura familiar e desenvolvimento regional (Ascom entrevista Danilo Gusmão – NEPPA)

Danilo Gusmão coordena o NEPPA desde sua criação em 2002

Wânia Dias

Ampliação do potencial produtivo do gado durante longos períodos de seca. Transformação de resíduos da atividade agrícola em energia limpa e de baixo custo. Aumento da produção e da qualidade do leite em pequenas propriedades. Melhoria do rebanho caprino e ovino.

Esses são alguns resultados de pesquisas e projetos de extensão desenvolvidos pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Produção Animal (NEPPA) da UNEB, que beneficiam milhares de agricultores familiares do Oeste da Bahia.

 Coordenado pelo professor Danilo Gusmão, desde sua implantação, em 2004, o NEPPA é vinculado ao Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX da UNEB, em Barreiras, e, ao longo dos anos, vem expandindo suas pesquisas e costurando parcerias nacionais e internacionais, consolidando-se como um importante polo de inovação e desenvolvimento tecnológico agrícola.

 Cerca de 105 municípios baianos são beneficiados direta e indiretamente por ações do núcleo, a partir do fortalecimento de laços entre a universidade e a comunidade, sobretudo através da difusão do conhecimento científico, da valorização dos saberes populares.

Confira, a seguir, entrevista concedida pelo professor Danilo Gusmão, conhecido como o agrônomo do povo, à Assessoria de Comunicação (Ascom) da UNEB sobre pesquisa, desenvolvimento social e econômico e, principalmente, sobre o poder transformador da ciência do conhecimento que, para Gusmão, “devem ser levados para quem precisa”.

 Hoje, com 36 anos, a UNEB comemora os 15 anos de atividades do NEPPA, um núcleo que escreve, junto com todos nós, Uma história de toda a Bahia.

Assessoria de Comunicação (ASCOM): Em que contexto e com qual objetivo surge o NEPPA?

Danilo Gusmão (DG): O NEPPA surgiu, em 2002, a partir do esforço conjunto de professores e estudantes do curso de Engenharia Agronômica, ofertado no Campus de Barreiras. Em 2004, o Conselho Universitário (Consu) da UNEB chancelou a criação do núcleo, que passou a figurar entre os principais polos de pesquisa e inovação da universidade.

A produção animal era ainda incipiente e pouco rentável no oeste da Bahia, uma região que, mesmo rica em grãos, importantíssimos para alimentação do gado, não conseguia desenvolver a pecuária, a cadeia produtiva de carne e do leite. Essa realidade alimentava o êxodo rural, afinal, a falta de condições dignas de sobrevivência no campo, em termos sociais e econômicos, faz com que as pessoas migrem para as cidades.

Nesse contexto nasce o NEPPA, que percebeu na região um potencial agrário gigantesco, mas desvalorizado. Foi assim que descobrimos a nossa missão enquanto pesquisadores, produtores e multiplicadores de conhecimento: desenvolver tecnologia para melhorar a vida das pessoas, para criar oportunidades no campo.

Dia de campo: orientações sobre cultivo do sorgo forrageiro desde o plantio até a colheita.

O NEPPA desenvolve trabalhos em várias frentes relacionadas à produção animal, que perpassam o ensino, a pesquisa e a extensão. Desenvolvemos cursos e capacitações gratuitas para a população do campo, estudos nacionais e internacionais que nos permitem desenvolver tecnologia de ponta. Temos diversos projetos na área de produção e armazenamento de forragens para alimentar o gado na seca, pesquisas sobre energia renovável produzida a partir de resíduos da atividade agrícola, ações voltadas para o aumento da produção e qualidade da pecuária leiteira, melhoria do rebanho caprino-ovino e muitas outras iniciativas.

É importante destacar que o NEPPA se fortaleceu ainda mais com a criação do curso de Medicina Veterinária em nosso departamento e, dada a criação de programas que contemplam projetos de pesquisa, ensino e extensão, buscamos parcerias estratégicas para expandir suas atividades que alcançam praticamente todas as regiões do estado.

Somos, até hoje, o único centro de produção animal da região e todas as pesquisas que desenvolvemos culminam em atividades extensionistas que chegam aos pequenos produtores rurais, criando oportunidades reais de crescimento social e econômico. Quando o produtor consegue alcançar seus objetivos, além dos ganhos financeiros, existe uma mudança emocional e social. Trata-se de um processo de autovalorização do trabalho e também das competências individuais. É bonito de acompanhar, é emocionante perceber o poder transformador do conhecimento.

ASCOM: O NEPPA possui vasto estudo sobre alternativas para alimentação do gado na seca. O Projeto Esperança atua diretamente com os agricultores familiares visando atenuar os danos da estiagem. Como funciona essa iniciativa e qual  seu impacto para a qualidade de vida dos pequenos produtores e para a economia baiana?

Projeto Esperança – distribuição de mudas de amendoim forrageiro para o pequeno produtor.

DG: A Bahia é muito rica em plantas forrageiras, que são aquelas que servem de alimento para o gado, possibilitando o desenvolvimento da produção animal, importante para o nosso estado. Contudo, em períodos de estiagem tudo muda. A única certeza que temos no campo é que a seca chegará. Não sabemos se será curta ou longa, mas ela virá e o gado precisa ser bem alimentado para que a produção não seja comprometida. Na estiagem, o animal emagrece, perde força reprodutiva ou até morre por falta de comida. Esse é o principal problema do agricultor familiar, que, nesses períodos, precisa comprar comida para o animal a um custo altíssimo, o que prejudica o volume e a qualidade da produção, a comercialização e, de forma mais ampla, o desenvolvimento econômico da região.

O “Projeto Esperança: lado a lado com o produtor rural na convivência com a seca” surge nesse contexto. Começamos indo até o pequeno produtor ensinando, orientando quanto à produção e armazenagem de forragens para manter suprimentos durante a seca. Organizamos cursos, workshops, oficinas, estudos de campo. Mas, percebemos que essas ações não eram suficientes. Os agricultores aprendiam a tecnologia, iniciavam o processo, mas não seguiam adiante. Foi então que resolvemos promover uma intervenção mais direta e, além da orientação sobre o manejo e conservação das forragens, iniciamos a distribuição gratuita de mudas de plantas forrageiras para produtores e associações. Essas mudas são replantadas e doadas para a vizinhança. Assim criamos uma rede de multiplicadores e o alcance do projeto se ampliou exponencialmente. Nesse processo, a pesquisa avançou, fomos criando mudas melhoradas e mais resistentes à seca.

Esse projeto vem mudando consideravelmente a produção animal no nosso estado. Começamos em sete municípios baianos e agora já alcançamos mais de 100.

ASCOM: O setor leiteiro baiano produz anualmente 858 milhões de litros de leite e a maior parte vem de propriedades com pequena escala de produção. Como você avalia o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na Bahia? E qual o papel do Neppa nesse contexto?

DG: O litro de leite pago ao produtor é mais barato que uma lata de refrigerante. Um produtor de leite recebe, em média, R$ 1,20 reais por litro e o custo para produzi-lo é metade desse valor. E, se levarmos em conta que a média de produção de um pequeno produtor em nosso estado é de 40 litros por dia, a situação fica ainda mais preocupante. Para que o leite seja, de fato, uma fonte de sustento é necessário produzir muito e com qualidade. Foi nessa perspectiva que criamos, em 2015, o projeto “Nosso Leite Nossa Renda: A pecuária leiteira como ferramenta de transformação social”, cujo principal objetivo é aumentar a produção de leite e garantir o sustento de milhares de famílias que lidam com a atividade. Isso não significa necessariamente o aumento do número de animais, mas sim da produtividade do animal e da capacidade de suporte da propriedade.

O NEPPA atua em toda a cadeia produtiva do leite dando apoio e orientações aos produtores.

O NEPPA atua em toda a cadeia produtiva do leite dando apoio e orientações sobre melhoramento genético, alimentação, instalações funcionais e baratas, manejo e saúde dos animais, manejo e higiene da ordenha, na conservação do leite, e na organização da comercialização. Nosso objetivo é que o leite seja um diferencial e que ajude muitas pessoas.

O projeto começou em cinco municípios e hoje está na Bahia inteira, por meio de parcerias estratégicas com diversas entidades. Atualmente, estamos montando o laboratório do leite, o ANALEITE, no curso de Medicina Veterinária, ofertado no Campus da UNEB, em Barreiras. Com esses novos equipamentos, poderemos auxiliar ainda mais os produtores da região, principalmente no que se refere à qualidade do leite que chega à mesa do consumidor.

ASCOM: Em 2009, o NEPPA ganhou projeção internacional com o Programa Renova Bahia. Conte-nos um pouco sobre essa iniciativa e sobre a sua importância para o desenvolvimento sustentável da agricultura?

O Renova Bahia usa biodigestores para desenvolvimento sustentável da agricultura.

DG: O Renova Bahia abriu muitas portas, através dele as ações do NEPPA ganharam o mundo. Basicamente o programa usa biodigestores para desenvolvimento sustentável da agricultura, aproveitando dejetos de animais para produzir biogás e biofertilizante. Isso permite a produção de energia limpa e de baixo custo para o agricultor familiar, substituindo o gás de cozinha e a energia elétrica, a partir do aproveitamento dos recursos naturais ou subprodutos, resíduos da própria propriedade. Além disso, o uso das tecnologias de energias renováveis pode ter fins produtivos, atuando no processamento dos produtos para agregar valor. A ideia é promover economia e também possibilitar geração de renda para o agricultor familiar.

Fomos pioneiros no uso de energias renováveis na Bahia. Apresentamos essa pesquisa em vários países do mundo, especialmente da Europa. Foi um projeto premiado que, inclusive, virou livro e documentário homônimos: Biodigestor na agricultura familiar do semiárido. Essas obras, assim como todas as produções científicas do NEPPA, estão disponíveis no site www.neppa.uneb.br.

ASCOM: Em 2019, a UNEB completa 36 anos, fortalecendo a cada dia sua vocação social e inclusiva. De que forma o NEPPA ecoa esse papel social?

DG: É importante começar dizendo que sem educação, sem construção e difusão do conhecimento, nenhum desenvolvimento é possível. Se a tecnologia criada a partir das pesquisas e estudos não chegar a quem precisa, nada faz sentido. É a partir dessa premissa que o NEPPA atua, por isso, para nós, a extensão é basilar. A pesquisa produz a tecnologia, mas é a extensão que a populariza.

A maioria dos cursos de Agronomia e Veterinária se alicerça em um currículo fechado, limitado a laboratórios e salas de aula, com poucas atividades de campo que, quando acontecem, são engessadas e apenas margeiam a realidade do produtor rural. Na UNEB, especificamente no Campus de Barreiras, a nossa proposta de ensino é diferente. Entendemos que não há como falar do produtor, sem o produtor. Não há como falar do campo, sem vivência no campo. O percurso formativo do estudante perpassa sim o laboratório, a sala de aula, mas valorizamos muito a efetividade do conhecimento que é transmitido, e, principalmente, o conhecimento que emerge do próprio campo, do povo, da lida diária com o que estudamos. Esse saber é muito precioso para a formação do estudante.

O NEPPA realiza diversos cursos sobre manejo de pastagens e alimentação do gado na seca.

O NEPPA possui um projeto muito bonito, que está alinhado com a missão social da universidade, chama-se Educampo. É um projeto piloto de inserção de conteúdo agrícola e ambiental em escolas de educação básica, na zona rural. Cerca de 90% dos alunos ajudam a família na atividade agrícola. Esses jovens possuem uma grande experiência prática, mas, em geral, desconhecem os aspectos técnicos. A ideia do Educampo é, além de unir teoria e prática, criar uma mão dupla de construção do conhecimento. Os estudantes de Engenharia Agronômica vão até as escolas ensinar técnicas de plantio de hortas, de produção de mudas frutíferas, melhorias nas técnicas de criação. Em contrapartida, aprendem muito com a experiência prática dos estudantes da educação básica, já familiarizados com a rotina do campo.

O projeto está parado há algum tempo por falta de recursos para a sua manutenção, mas continuamos em busca de investimentos e parcerias para torná-lo ativo novamente. Trata-se de uma iniciativa linda, com inúmeros benefícios para todos, além de oportunizar o resgate do orgulho de ser agricultor, a partir da valorização do trabalho e do profissional do campo. Esse é, sem dúvidas, o projeto que mais me deu satisfação pessoal.

ASCOM: Que balanço você faz das ações do NEPPA nesses 15 anos de atividades e quais os planos para o futuro?

DG: A pesquisa engajada e participativa desenvolvida lado a lado com o povo do campo e demais parceiros estratégicos nos permitiu, ao longo desses 15 anos, assistir diretamente mais de cinco mil famílias de agricultores. Indiretamente esse número é muito maior. A estimativa é que a capilaridade de nossas ações chegue a mais de 50 mil famílias. São números expressivos, que nos enchem de orgulho, nos motivam.

O trabalho da UNEB, através do NEPPA, é reconhecido e respeitado porque é desenvolvido de forma dedicada, imersiva e acolhedora. Todas as nossas ações são orientadas pela busca por transformações que oportunizem melhores condições de vida para o povo do campo. Esse é, inclusive, um pilar importante da formação dos nossos estudantes. Diversos egressos do curso de Engenharia Agronômica já são mestres e doutores e, hoje, integram o quadro docente da própria UNEB, replicando esse formato de ensino humanístico.

Para o futuro, nosso foco é a internacionalização. Já firmamos algumas parcerias com instituições estrangeiras, a partir do projeto de bioenergia. Graças a ele temos parceiros na Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, e novos convites continuam chegando. Agora pretendemos ampliar a ação internacional no campo da produção animal também. Assim, o NEPPA segue fortalecendo o que já construímos, mas com o olhar sempre adiante.

Veja outras matérias desta série:

UNEB, 36 ANOS: UMA HISTÓRIA DE TODA A BAHIA
UNEB, 36 ANOS: Universidade já atendeu 13,3 mil jovens e adultos em educação do campo
UNEB, 36 ANOS: Universidade é destaque nacional em programas de iniciação à docência

Fotos: Arquivo NEPPA.

UNEB, 36 anos: Agricultura familiar e desenvolvimento regional (Ascom entrevista Danilo Gusmão – NEPPA)

Wânia Dias

Ampliação do potencial produtivo do gado durante longos períodos de seca. Transformação de resíduos da atividade agrícola em energia limpa e de baixo custo. Aumento da produção e da qualidade do leite em pequenas propriedades. Melhoria do rebanho caprino e ovino.

Esses são alguns resultados de pesquisas e projetos de extensão desenvolvidos pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Produção Animal (NEPPA) da UNEB, que beneficiam milhares de agricultores familiares do Oeste da Bahia.

 Coordenado pelo professor Danilo Gusmão, desde sua implantação, em 2004, o NEPPA é vinculado ao Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX da UNEB, em Barreiras, e, ao longo dos anos, vem expandindo suas pesquisas e costurando parcerias nacionais e internacionais, consolidando-se como um importante polo de inovação e desenvolvimento tecnológico agrícola.

 Cerca de 105 municípios baianos são beneficiados direta e indiretamente por ações do núcleo, a partir do fortalecimento de laços entre a universidade e a comunidade, sobretudo através da difusão do conhecimento científico, da valorização dos saberes populares.

Confira, a seguir, entrevista concedida pelo professor Danilo Gusmão, conhecido como o agrônomo do povo, à Assessoria de Comunicação (Ascom) da UNEB sobre pesquisa, desenvolvimento social e econômico e, principalmente, sobre o poder transformador da ciência do conhecimento que, para Gusmão, “devem ser levados para quem precisa”.

 Hoje, com 36 anos, a UNEB comemora os 15 anos de atividades do NEPPA, um núcleo que escreve, junto com todos nós, Uma história de toda a Bahia.

Assessoria de Comunicação (ASCOM): Em que contexto e com qual objetivo surge o NEPPA?

Danilo Gusmão (DG): O NEPPA surgiu, em 2002, a partir do esforço conjunto de professores e estudantes do curso de Engenharia Agronômica, ofertado no Campus de Barreiras. Em 2004, o Conselho Universitário (Consu) da UNEB chancelou a criação do núcleo, que passou a figurar entre os principais polos de pesquisa e inovação da universidade.

A produção animal era ainda incipiente e pouco rentável no oeste da Bahia, uma região que, mesmo rica em grãos, importantíssimos para alimentação do gado, não conseguia desenvolver a pecuária, a cadeia produtiva de carne e do leite. Essa realidade alimentava o êxodo rural, afinal, a falta de condições dignas de sobrevivência no campo, em termos sociais e econômicos, faz com que as pessoas migrem para as cidades.

Nesse contexto nasce o NEPPA, que percebeu na região um potencial agrário gigantesco, mas desvalorizado. Foi assim que descobrimos a nossa missão enquanto pesquisadores, produtores e multiplicadores de conhecimento: desenvolver tecnologia para melhorar a vida das pessoas, para criar oportunidades no campo.

Dia de campo: orientações sobre cultivo do sorgo forrageiro desde o plantio até a colheita.

O NEPPA desenvolve trabalhos em várias frentes relacionadas à produção animal, que perpassam o ensino, a pesquisa e a extensão. Desenvolvemos cursos e capacitações gratuitas para a população do campo, estudos nacionais e internacionais que nos permitem desenvolver tecnologia de ponta. Temos diversos projetos na área de produção e armazenamento de forragens para alimentar o gado na seca, pesquisas sobre energia renovável produzida a partir de resíduos da atividade agrícola, ações voltadas para o aumento da produção e qualidade da pecuária leiteira, melhoria do rebanho caprino-ovino e muitas outras iniciativas.

É importante destacar que o NEPPA se fortaleceu ainda mais com a criação do curso de Medicina Veterinária em nosso departamento e, dada a criação de programas que contemplam projetos de pesquisa, ensino e extensão, buscamos parcerias estratégicas para expandir suas atividades que alcançam praticamente todas as regiões do estado.

Somos, até hoje, o único centro de produção animal da região e todas as pesquisas que desenvolvemos culminam em atividades extensionistas que chegam aos pequenos produtores rurais, criando oportunidades reais de crescimento social e econômico. Quando o produtor consegue alcançar seus objetivos, além dos ganhos financeiros, existe uma mudança emocional e social. Trata-se de um processo de autovalorização do trabalho e também das competências individuais. É bonito de acompanhar, é emocionante perceber o poder transformador do conhecimento.

ASCOM: O NEPPA possui vasto estudo sobre alternativas para alimentação do gado na seca. O Projeto Esperança atua diretamente com os agricultores familiares visando atenuar os danos da estiagem. Como funciona essa iniciativa e qual  seu impacto para a qualidade de vida dos pequenos produtores e para a economia baiana?

Projeto Esperança – distribuição de mudas de amendoim forrageiro para o pequeno produtor.

DG: A Bahia é muito rica em plantas forrageiras, que são aquelas que servem de alimento para o gado, possibilitando o desenvolvimento da produção animal, importante para o nosso estado. Contudo, em períodos de estiagem tudo muda. A única certeza que temos no campo é que a seca chegará. Não sabemos se será curta ou longa, mas ela virá e o gado precisa ser bem alimentado para que a produção não seja comprometida. Na estiagem, o animal emagrece, perde força reprodutiva ou até morre por falta de comida. Esse é o principal problema do agricultor familiar, que, nesses períodos, precisa comprar comida para o animal a um custo altíssimo, o que prejudica o volume e a qualidade da produção, a comercialização e, de forma mais ampla, o desenvolvimento econômico da região.

O “Projeto Esperança: lado a lado com o produtor rural na convivência com a seca” surge nesse contexto. Começamos indo até o pequeno produtor ensinando, orientando quanto à produção e armazenagem de forragens para manter suprimentos durante a seca. Organizamos cursos, workshops, oficinas, estudos de campo. Mas, percebemos que essas ações não eram suficientes. Os agricultores aprendiam a tecnologia, iniciavam o processo, mas não seguiam adiante. Foi então que resolvemos promover uma intervenção mais direta e, além da orientação sobre o manejo e conservação das forragens, iniciamos a distribuição gratuita de mudas de plantas forrageiras para produtores e associações. Essas mudas são replantadas e doadas para a vizinhança. Assim criamos uma rede de multiplicadores e o alcance do projeto se ampliou exponencialmente. Nesse processo, a pesquisa avançou, fomos criando mudas melhoradas e mais resistentes à seca.

Esse projeto vem mudando consideravelmente a produção animal no nosso estado. Começamos em sete municípios baianos e agora já alcançamos mais de 100.

ASCOM: O setor leiteiro baiano produz anualmente 858 milhões de litros de leite e a maior parte vem de propriedades com pequena escala de produção. Como você avalia o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na Bahia? E qual o papel do Neppa nesse contexto?

DG: O litro de leite pago ao produtor é mais barato que uma lata de refrigerante. Um produtor de leite recebe, em média, R$ 1,20 reais por litro e o custo para produzi-lo é metade desse valor. E, se levarmos em conta que a média de produção de um pequeno produtor em nosso estado é de 40 litros por dia, a situação fica ainda mais preocupante. Para que o leite seja, de fato, uma fonte de sustento é necessário produzir muito e com qualidade. Foi nessa perspectiva que criamos, em 2015, o projeto “Nosso Leite Nossa Renda: A pecuária leiteira como ferramenta de transformação social”, cujo principal objetivo é aumentar a produção de leite e garantir o sustento de milhares de famílias que lidam com a atividade. Isso não significa necessariamente o aumento do número de animais, mas sim da produtividade do animal e da capacidade de suporte da propriedade.

O NEPPA atua em toda a cadeia produtiva do leite dando apoio e orientações aos produtores.

O NEPPA atua em toda a cadeia produtiva do leite dando apoio e orientações sobre melhoramento genético, alimentação, instalações funcionais e baratas, manejo e saúde dos animais, manejo e higiene da ordenha, na conservação do leite, e na organização da comercialização. Nosso objetivo é que o leite seja um diferencial e que ajude muitas pessoas.

O projeto começou em cinco municípios e hoje está na Bahia inteira, por meio de parcerias estratégicas com diversas entidades. Atualmente, estamos montando o laboratório do leite, o ANALEITE, no curso de Medicina Veterinária, ofertado no Campus da UNEB, em Barreiras. Com esses novos equipamentos, poderemos auxiliar ainda mais os produtores da região, principalmente no que se refere à qualidade do leite que chega à mesa do consumidor.

ASCOM: Em 2009, o NEPPA ganhou projeção internacional com o Programa Renova Bahia. Conte-nos um pouco sobre essa iniciativa e sobre a sua importância para o desenvolvimento sustentável da agricultura?

O Renova Bahia usa biodigestores para desenvolvimento sustentável da agricultura.

DG: O Renova Bahia abriu muitas portas, através dele as ações do NEPPA ganharam o mundo. Basicamente o programa usa biodigestores para desenvolvimento sustentável da agricultura, aproveitando dejetos de animais para produzir biogás e biofertilizante. Isso permite a produção de energia limpa e de baixo custo para o agricultor familiar, substituindo o gás de cozinha e a energia elétrica, a partir do aproveitamento dos recursos naturais ou subprodutos, resíduos da própria propriedade. Além disso, o uso das tecnologias de energias renováveis pode ter fins produtivos, atuando no processamento dos produtos para agregar valor. A ideia é promover economia e também possibilitar geração de renda para o agricultor familiar.

Fomos pioneiros no uso de energias renováveis na Bahia. Apresentamos essa pesquisa em vários países do mundo, especialmente da Europa. Foi um projeto premiado que, inclusive, virou livro e documentário homônimos: Biodigestor na agricultura familiar do semiárido. Essas obras, assim como todas as produções científicas do NEPPA, estão disponíveis no site www.neppa.uneb.br.

ASCOM: Em 2019, a UNEB completa 36 anos, fortalecendo a cada dia sua vocação social e inclusiva. De que forma o NEPPA ecoa esse papel social?

DG: É importante começar dizendo que sem educação, sem construção e difusão do conhecimento, nenhum desenvolvimento é possível. Se a tecnologia criada a partir das pesquisas e estudos não chegar a quem precisa, nada faz sentido. É a partir dessa premissa que o NEPPA atua, por isso, para nós, a extensão é basilar. A pesquisa produz a tecnologia, mas é a extensão que a populariza.

A maioria dos cursos de Agronomia e Veterinária se alicerça em um currículo fechado, limitado a laboratórios e salas de aula, com poucas atividades de campo que, quando acontecem, são engessadas e apenas margeiam a realidade do produtor rural. Na UNEB, especificamente no Campus de Barreiras, a nossa proposta de ensino é diferente. Entendemos que não há como falar do produtor, sem o produtor. Não há como falar do campo, sem vivência no campo. O percurso formativo do estudante perpassa sim o laboratório, a sala de aula, mas valorizamos muito a efetividade do conhecimento que é transmitido, e, principalmente, o conhecimento que emerge do próprio campo, do povo, da lida diária com o que estudamos. Esse saber é muito precioso para a formação do estudante.

O NEPPA realiza diversos cursos sobre manejo de pastagens e alimentação do gado na seca.

O NEPPA possui um projeto muito bonito, que está alinhado com a missão social da universidade, chama-se Educampo. É um projeto piloto de inserção de conteúdo agrícola e ambiental em escolas de educação básica, na zona rural. Cerca de 90% dos alunos ajudam a família na atividade agrícola. Esses jovens possuem uma grande experiência prática, mas, em geral, desconhecem os aspectos técnicos. A ideia do Educampo é, além de unir teoria e prática, criar uma mão dupla de construção do conhecimento. Os estudantes de Engenharia Agronômica vão até as escolas ensinar técnicas de plantio de hortas, de produção de mudas frutíferas, melhorias nas técnicas de criação. Em contrapartida, aprendem muito com a experiência prática dos estudantes da educação básica, já familiarizados com a rotina do campo.

O projeto está parado há algum tempo por falta de recursos para a sua manutenção, mas continuamos em busca de investimentos e parcerias para torná-lo ativo novamente. Trata-se de uma iniciativa linda, com inúmeros benefícios para todos, além de oportunizar o resgate do orgulho de ser agricultor, a partir da valorização do trabalho e do profissional do campo. Esse é, sem dúvidas, o projeto que mais me deu satisfação pessoal.

ASCOM: Que balanço você faz das ações do NEPPA nesses 15 anos de atividades e quais os planos para o futuro?

DG: A pesquisa engajada e participativa desenvolvida lado a lado com o povo do campo e demais parceiros estratégicos nos permitiu, ao longo desses 15 anos, assistir diretamente mais de cinco mil famílias de agricultores. Indiretamente esse número é muito maior. A estimativa é que a capilaridade de nossas ações chegue a mais de 50 mil famílias. São números expressivos, que nos enchem de orgulho, nos motivam.

O trabalho da UNEB, através do NEPPA, é reconhecido e respeitado porque é desenvolvido de forma dedicada, imersiva e acolhedora. Todas as nossas ações são orientadas pela busca por transformações que oportunizem melhores condições de vida para o povo do campo. Esse é, inclusive, um pilar importante da formação dos nossos estudantes. Diversos egressos do curso de Engenharia Agronômica já são mestres e doutores e, hoje, integram o quadro docente da própria UNEB, replicando esse formato de ensino humanístico.

Para o futuro, nosso foco é a internacionalização. Já firmamos algumas parcerias com instituições estrangeiras, a partir do projeto de bioenergia. Graças a ele temos parceiros na Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, e novos convites continuam chegando. Agora pretendemos ampliar a ação internacional no campo da produção animal também. Assim, o NEPPA segue fortalecendo o que já construímos, mas com o olhar sempre adiante.

Veja outras matérias desta série:

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UNEB, 36 ANOS: Universidade já atendeu 13,3 mil jovens e adultos em educação do campo
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Fotos: Arquivo NEPPA.

 

Fotos: Arquivo NEPPA.