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UNEB entrega título de Doutora Honoris Causa à etnolinguista e professora Yeda Pessoa de Castro; dia 15/12, às 17h, em Salvador

O Conselho Universitário (Consu) da UNEB vai realizar sessão especial para entrega do título de Doutora Honoris Causa à etnolinguista e professora Yeda Pessoa de Castro, na próxima segunda-feira (15), às 17h, no teatro da universidade, em Salvador.

A outorga da honraria à docente – aprovada pelo Conselho, por unanimidade, em reunião no mês de maio passado, nos termos da Resolução Consu n° 1.695/2025 – reconhece a trajetória acadêmica e o legado de uma das mais importantes pesquisadoras das línguas africanas e suas contribuições para a cultura e história do país.

Segundo a presidente do Consu, reitora Adriana Marmori, “ao homenagear essa extraordinária mulher, pesquisadora e docente, exemplo para todas e todos nós da universidade, a UNEB reafirma seu compromisso com a história dos povos negros e com a relevância dos falares e saberes ancestrais na produção do conhecimento”.

Yeda Pessoa de Castro simboliza a memória e a projeção de futuro da relação Sul-Sul em sua essência, o que condiz com os nossos ideais enquanto instituição pública de educação superior, que assume como projeto ético as ações afirmativas e a produção de ciência nesse campo. Sua trajetória notável na área dos estudos linguísticos africanos e afro-brasileiros tem impactado de forma inspiradora e positiva a sociedade, uma verdadeira inspiração para diferentes gerações”, destaca Adriana Marmori.

Nascida em Salvador, Yeda Pessoa de Castro é referência nacional e internacional nos estudos sobre a presença de línguas africanas no português brasileiro e na valorização das matrizes culturais trazidas ao país pelos povos africanos.

Ao longo de sua carreira, a homenageada desenvolveu pesquisas pioneiras que mapearam vocábulos afro-atlânticos incorporados ao léxico da língua portuguesa falada no Brasil, sistematizando conhecimentos que há muito tempo circulavam apenas na tradição oral. Sua obra acadêmica contribuiu decisivamente para a construção de uma perspectiva crítica sobre a formação linguística e cultural brasileira.

Na UNEB, a pesquisadora fundou o Grupo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros em Línguas e Culturas (GEAALC), atualmente núcleo (NGEALC), no qual permanece atuando como líder e mentora, pois sua obra é referência obrigatória nesse campo. Foi professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC), lecionando línguas e culturas africanas, e professora consultora do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens (PPGEL), entre outras atividades desenvolvidas na universidade.

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Texto: Toni Vasconcelos/Ascom. Imagens: Adriano Reis/Ascom.

UNEB faz HISTÓRIA: Conselho Universitário vai a território indígena para entrega de título Doutor Honoris Causa ao Cacique Payayá

44 conselheiros do Consu e convidados foram recebidos pela comunidade Payayá para sessão solene.

“Somente uma universidade pública poderia fazer uma homenagem como esta. Viva a universidade pública, cuja mãe é o povo! Salve a UNEB, a universidade do povo!”

Foi com essas palavras que o escritor e professor Juvenal Teodoro da Silva – reconhecido na Bahia e no país como o líder indígena Cacique Juvenal Payayá –, manifestou, visivelmente emocionado, sua gratidão ao receber o título de Doutor Honoris Causa da UNEB.

A solenidade foi mais um marco histórico da universidade: pela primeira vez, o Conselho Universitário (Consu) da UNEB deslocou-se até o território indígena Payayá, no município de Utinga, região baiana da Chapada Diamantina, para a entrega da mais alta honraria acadêmica ao cacique, em festiva cerimônia realizada na manhã de hoje (16), com transmissão ao vivo pelo canal da TV UNEB no Youtube.

Reitora Adriana Marmori: diálogo muito forte com os povos indígenas.

“Este é um Consu histórico e memorável! O dia em que o cacique, poeta, ativista dos direitos dos povos indígenas e difusor de conhecimento para as novas gerações foi condecorado e homenageado com a maior honraria da universidade, entregue em seu território e diante de sua comunidade. Agradeço a aprovação unânime do Conselho e peço aos conselheiros que, em gesto simbólico, tirem a borla da cabeça – borla na academia significa conhecimento e aqui, neste espaço, a gente se rende ao conhecimento dos povos originários”, iniciou sua fala a reitora Adriana Marmori, que presidiu a solenidade.

A reitora salientou que a Bahia possui a segunda maior população indígena do país: “E isso se deve à herança ancestral dos povos indígenas e dos povos negros africanos trazidos compulsoriamente para o Brasil. Por isso, nós estamos aqui, a UNEB está aqui, porque ela já nasceu interiorizada, capilarizada, enraizada em todos os territórios do estado – e assim nossa universidade se articula com saberes que transbordam respeito, criatividade e compartilhamento”.

“Temos um diálogo muito forte com os povos indígenas. Neste ano a UNEB passou a ter 32 departamentos, porque criamos o pioneiro Departamento dos Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais e Camponesas, no município de Jeremoabo. Nossos registros apontam 495 egressos indígenas de cursos de graduação e de pós-graduação; e atualmente são 528 indígenas matriculados em diferentes cursos e campi da universidade. É um universo significativo, mas ainda é pouco. Criamos uma bolsa-auxílio exclusiva para estudantes indígenas, para contribuir com sua permanência nos cursos. Precisamos de mais, mais bolsas, mais indígenas“, disse Adriana Marmori.

Gestores da UNEB e do governo estadual celebram com homenageado.

Reconhecendo o talento literário do laureado, a reitora citou trecho de uma das obras de Juvenal Payayá – “Hoje os Payayá engrossam o quadro dos apelidados de índios dispersos, índios urbanos, índios desaldeados, índios não puros, impuros, sem nada, sem direito a ser o que são; apesar desse preconceito, nós, os Payayá, nunca desistiremos: lutamos reunindo foças e recursos inexistentes, em busca de identificar os poucos Payayá que certamente restaram do grande massacre” – e completou: “Precisamos ter um outro olhar, um olhar para o triste caminho do genocídio indígena. E assim eu conclamo a UNEB, o nosso Conselho, toda a  comunidade baiana, a continuar se firmando como espaço de produção de ciências, se somando às lutas históricas das comunidades indígenas, fazendo ecoar essas denúncias”, destacou Adriana Marmori.

Como lembrança do momento histórico, a reitora pediu para distribuir a todos os presentes o livro “Em busca do mapa da verdade“, de autoria do cacique, impresso pela universidade.

Estamos aqui para ajudar a salvar a terra

Com lágrimas nos olhos, Juvenal Payayá agradeceu à comunidade da UNEB pelo título que lhe foi outorgado, em especial à reitora Adriana Marmori, “uma mulher sábia, que considero da minha família”.

O cacique salientou também que “o povo Payayá não é apenas um povo que quer seu território para sobrevivência: estamos aqui para ajudar a salvar a terra, a salvar o rio, lutamos para preservar a vida. Plantamos aqui mais de 50 mil mudas de plantas nativas”.

Cacique Juvenal Payayá: “Salve a UNEB, a universidade do povo!”

“Meu agradecimento de coração por esta oportunidade, por tudo o que a UNEB fez e faz para nossos povos. Receber um titulo deste é poder ocupar um espaço de fala como este aqui. A liderança é uma das coisas mais importantes para nossos povos. Nunca esqueci dos ensinamentos dos nossos pais, avós e antepassados; obedecer aos mais velhos e à natureza, saber se guiar pelas melhores orientações – isso me fez chegar até aqui. Ainda criança descobri que, sem educação, a gente não vai para lugar nenhum“, afirmou o novo doutor honoris causa da UNEB.

Segundo Juvenal Payayá, “é necessário que se refaça a história dos povos ditos extintos, que se reconstrua o mapa desses povos. Nossa gratidão aos caciques que me antecederam e que nos encaminharam a não desistir dessa luta”.

Esposa do cacique, Edilene Payayá é coautora de obras com o marido.

Escritor, poeta, desenhista, ativista, professor, palestrante, entre outras atividades, Juvenal Teodoro da Silva, nasceu em uma aldeia na Chapada Diamantina, em 1945. Estudou História, na Universidade de São Paulo (USP), e Economia, na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). É membro da Red Latinoamericana por la Defensa del Patrimonio Biocultural e membro fundador dos movimentos Associativo Indígena Payayá (Maip) e Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba). Foi membro também dos conselhos estaduais de Educação da Bahia (CEE-BA) e dos Direitos dos Povos Indígenas do Estado (Copiba). É autor de mais de uma dezena de livros publicados, entre romances, contos, crônicas e poesia, alguns em coautoria com sua esposa, Edilene Payayá.

Esse é o décimo título de Doutor Honoris Causa concedido pela UNEB e o segundo outorgado pela instituição a uma liderança indígena – em 2021, Rosivaldo Ferreira da Silva, Cacique Babau Tupinambá, foi agraciado com a honraria.

Governador: reserva indígena do povo Payayá  

A mesa solene da cerimônia foi composta pela reitora Adriana Marmori, a vice-reitora Dayse Lago, a superintendente de Politicas para Povos Indígenas (SPPI), da Secretaria estadual da Promoção de Igualdade Racial (Sepromi), Patrícia Pataxó – que representou o governador do estado, Jerônimo Rodrigues –, o reitor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Jacques Miranda, representando os demais reitores presentes, a técnica administrativa da UNEB Ana Cleide Payayá, madrinha do homenageado, e os conselheiros (Consu) representantes das categorias docente, Clóvis Piau, técnico administrativo, Adaltiva Xavier, e discente, Eduardo Guerra.

Patrícia Pataxó representou o governador do estado na sessão.

Em mensagem de vídeo enviada ao evento, o governador Jerônimo Rodrigues parabenizou a reitora Adriana Marmori, os conselheiros do Conselho Universitário e toda a comunidade acadêmica, pelo “reconhecimento muito justo ao Cacique Juvenal Payayá“, desejando ao líder indígena que “os encantados protejam seus caminhos”.

Coube à representante do governador no evento, Patrícia Pataxó, informar ao laureado que o governo do estado autorizou a abertura de processo para doação daquele território à União (governo federal), a fim de que seja criada a reserva indígena do povo Payayá. “Não existem povos indígenas sem territórios indígenas”, reforçou a superintendente.    

“Magnífica reitora, hoje é dia sobretudo de gratidão, estar aqui é uma missão para mim. Nosso agradecimento muito especial à UNEB, por todo o esforço de trazer a universidade aos povos indígenas. O Brasil é plural e nossas universidades públicas são territórios indígenas também”, assinalou Patrícia Pataxó.

Proponente do título, Ana Cleide Payayá é técnica administrativa da universidade.

Proponente do título ao Cacique Payayá quando era membro do Consu – proposta que foi aprovada por unanimidade em junho de 2023, sendo publicada como Resolução 1.576/2023 –, a servidora técnica da UNEB Ana Cleide Payayá recordou, no seu discurso panegírico, a dedicação e etapas superadas até o encaminhamento do processo no Conselho Universitário.

“Em minha pesquisa de doutoramento, estudei sobre a longa trajetória de luta do cacique. Também desenvolvi um projeto de extensão universitária com a comunidade Payayá. E culminou com o meu reconhecimento por essa etnia indígena. Tudo isso foi consolidando a ideia de propor o título ao Conselho. Espero que esse honraria traga mais força e vitalidade ao Cacique Juvenal“, assinalou a madrinha do homenageado.

A cerimônia, em clima de alegre confraternização, foi prestigiada pela comunidade acadêmica e gestores da UNEB, indígenas do território Payayá e caciques de outras etnias, políticos e autoridades da região e de outros órgãos do estado, reitores e gestores de outras universidades e instituições de ensino públicas, entre outros convidados.

No começo da sessão, foi exibido vídeo-documentário sobre a vida e luta do Cacique Juvenal Payayá, produzido pela Assessoria de Comunicação (Ascom) da UNEB. Vale ainda registrar que, antes da solenidade e no seu encerramento, a comunidade Payayá apresentou danças e músicas rituais da etnia.

Texto: Toni Vasconcelos/Ascom. Fotos: Danilo Oliveira/Ascom.

UNEB concede título Doutor Honoris Causa ao Cacique Juvenal Payayá nesta sexta (16); solenidade será realizada no território indígena, em Utinga

A UNEB vai realizar a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa ao líder indígena Juvenal Teodoro da Silva, o Cacique Juvenal Payayá, nesta sexta-feira (16), às 10h, no Território Indígena Payayá (BA 142, Estrada Cabeceira do Rio/Utinga, S/N – Cabeceira do Rio – Utinga – BA.)

É a primeira vez que uma instituição brasileira realiza a cerimônia de concessão do título a uma liderança indígena em seu próprio território.

A solenidade acontecerá em sessão do Conselho Universitário (Consu) e será presidida pela reitora Adriana Marmori, com a participação de todos os membros do conselho. Entre os convidados estão caciques e lideranças indígenas como o ambientalista Ailton Krenak.

“A outorga dessa honraria ao Cacique Juvenal Payayá fortalece o movimento de descolonização de saberes defendido por esta universidade. Um movimento de valorização dos nossos povos originários e de reconhecimento da importância científico-cultural dos conhecimentos tradicionais, refletindo e reivindicando a capacidade da academia de re-interrogar a relação ser humano-natureza que nos inspira desde sempre”, destacou a reitora.

A concessão do título ao Cacique Juvenal Payayá foi aprovada em junho de 2023 por docentes, técnicos e discentes, membros do Consu da universidade. Para organização da solenidade foi criada uma comissão composta pelo Gabinete da Reitoria, gestores da Universidade, movimentos indígenas e por familiares do homenageado.

O evento é reservado para convidados, mas pode ser acompanhado ao vivo, no canal da TV UNEB, no YouTube.

Indicação da honraria

O título de Doutor Honoris Causa da UNEB é conferido a professores, cientistas, educadores e personagens eminentes, nacionais ou estrangeiros, não pertencentes ao quadro da universidade, que tenham prestado serviços relevantes ao ensino, à pesquisa, às letras ou às artes.

Já foram agraciados com a maior honraria da universidade o então presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, o dramaturgo e ativista político, Abdias do Nascimento, e o historiador e escritor baiano, Luís Henrique Tavares. Também receberam o título a líder religiosa, Mãe Stella de Oxóssi, o educador e primeiro reitor da universidade, Edivaldo Boaventura, e o líder indígena Cacique Babau Tupinambá.

Líder indígena, escritor e professor

Nascido na Chapada Diamantina, berço de grandes escritores, Juvenal Teodoro da Silva, conhecido como Cacique Payayá, é um importante líder indígena e também professor, tendo já escrito mais de 12 livros e ensinado em diversas escolas públicas e universidades.

Ocupou parte de sua vida em busca das raízes históricas do povo Payayá, até então considerado extinto pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Sempre em defesa dos direitos dos povos e organizações indígenas, Juvenal Payayá, foi aluno do curso de História, na Universidade de São Paulo (USP), e do curso de Economia, na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Já participou dos conselhos de estado em defesa da pessoa idosa, povos indígenas e da Educação.

O líder indígena é membro da Red Latinoamericana por la Defensa del Patrimonio Biocultural e membro fundador dos Movimentos Associativos Indígena Payayá – (Maip) e dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba).

Texto: Danilo Cordeiro/Ascom. Imagem (destaque): Ascom

HISTÓRICO: Consu aprova título de doutor honoris causa da UNEB para cacique Juvenal Payayá e diversas propostas inovadoras

Conselheiros foram favoráveis à criação de novos programas que atendem demandas da comunidade interna e externa.

A reunião do Conselho Universitário (Consu) da UNEB realizada ontem (19) foi marcada por falas emocionadas de conselheiros quando da aprovação unânime da concessão de dois títulos honoríficos da universidade.

O primeiro foi o de doutor honoris causa ao cacique Juvenal Payayá, uma das maiores lideranças indígenas do movimento de retomada ancestral do povo payayá no território da Chapada Diamantina, na Bahia.

“Fico muito feliz com essa titulação, a mais elevada honraria da UNEB, uma vez que temos nos colocado como uma universidade na defesa dos povos originários”, afirmou a reitora Adriana Marmori, presidente do Conselho.

A vice-reitora Dayse Lago ressaltou que “quem ganha é a UNEB com essa titulação, ao valorizar as nossas lideranças populares”.

“Este é um momento de reconhecimento e de reverência a todo esse movimento dos payayá nos últimos 10 anos no estado”, reforçou a pró-reitora de Ações Afirmativas (Proaf), Dina Rosário.

O outro título aprovado foi o de professora emérita à docente Jaci Menezes, que tem uma longa história de dedicação e projetos inovadores na universidade.

“Professora Jaci é uma referência para toda a UNEB no campo da graduação, da pesquisa, da extensão”, disse a parecerista do processo, Luciana Cruz.

A pró-reitora de Pós-Graduação (PPG), Tânia Hetkowski, lembrou algumas realizações da docente: “Professora Jaci criou um dos maiores centros de memória e história da educação da Bahia. É conhecida como uma gigante nesse campo. Também foi uma das mentoras do primeiro programa de pós-graduação stricto sensu da UNEB, o PPGEduC, além de inaugurar o processo de internacionalização na universidade”.

Com a participação de 45 conselheiros, a reunião do Consu ocorreu via webconferência e com transmissão ao vivo pelo canal da TV UNEB no YouTube.

Cacique Juvenal Payayá acompanhou a sessão do Conselho e agradeceu reconhecimento à luta do seu povo.

Deliberações históricas

A plenária do Conselho Universitário aprovou quase a totalidade dos processos da extensa pauta da reunião, a maioria por unanimidade de votos.

A começar pelas seis relevantes resoluções ad referendum da pauta, três das quais atualizam os valores das bolsas dos programas de apoio ensino de pós-graduação e pesquisa; de ensino de graduação, extensão, assistência estudantil, ações afirmativas e acessibilidade e inclusão; e do Programa de Bolsa de Pesquisa (ProgPesq) para estudantes de pós-graduação stricto sensu da UNEB.

“Cumprindo projeto da gestão, estamos diminuindo cada vez mais os atos ad referendum, valorizando as deliberações da plenária. O reajuste no valor das bolsas precisava de celeridade. Hoje não existe nenhuma bolsa de estudante da UNEB inferior a R$ 700. Em 2024, esperamos ampliar o quantitativo de bolsas”, destacou a reitora Adriana Marmori.

Outra pioneira decisão do Conselho introduz na UNEB mecanismos adicionais para acesso aos cursos de graduação, nas modalidades presencial e a distância (EaD): a utilização dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou do desempenho do candidato ao longo de todo o ensino médio, por meio do histórico escolar.

O novos processos seletivos suplementares destinam-se a vagas residuais dos cursos de graduação; os tradicionais mecanismos de acesso (Vestibular e Sisu/MEC) continuam vigendo na universidade.

Os conselheiros também aprovaram unanimemente a criação do Programa de Arte e Cultura (Proarte) e do Programa de Qualidade de Vida e Promoção à Saúde (Prosaúde) da UNEB.

O Proarte tem como finalidade apoiar e fomentar ações extensionistas em arte e cultura, por iniciativa da gestão do programa ou de unidades gestoras da instituição.

Já o Prosaúde vai funcionar por meio de uma rede articulada de ações, projetos e serviços voltados para a atenção multidisciplinar e multirreferencial de saúde para os servidores, discentes e colaboradores terceirizados da universidade.

Outros dois processos de significativo impacto em toda a UNEB – recentemente chancelados pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da instituição – mereceram aprovação unânime dos conselheiros: o de criação do Centro de Idiomas da UNEB (Ciuneb) e de implantação do Programa para Atuação de Docentes e Técnicos Administrativos Aposentados em Pesquisa e Ensino de Pós-Graduação Stricto Sensu (PDTA).

O Ciuneb vai definir as ações extensionistas de oferta de cursos de idiomas presenciais ou a distância, bem como a realização de exames de proficiência em línguas, para a comunidade interna e externa da universidade.

O PDTA objetiva estimular a atuação de docentes e técnicos administrativos aposentados com experiência no ensino de pós-graduação e no desenvolvimento de projetos de pesquisa.

O Consu deliberou favoravelmente ainda à criação e regulamentação das atléticas estudantis da UNEB. As atléticas são entidades de organização estudantil, com duração ilimitada, sem fins lucrativos, apartidária e autônoma.

Texto: Toni Vasconcelos/Ascom. Imagens (prints): YouTube/TV UNEB.

Cacique Babau Tupinambá recebe título de Doutor Honoris Causa da UNEB; Conselho Universitário aclama concessão por unanimidade

Sessão especial do Consu, realizada remotamente, foi transmitida ao vivo pelo canal da TV UNEB no YouTube

O líder indígena Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, é, desde ontem (30), Doutor Honoris Causa da UNEB.

A honraria máxima da universidade foi entregue ao cacique em sessão especial do Conselho Universitário (Consu) da instituição, realizada remotamente por meio de aplicativo, com transmissão ao vivo pelo canal da TV UNEB no YouTube, na noite dessa quarta-feira.

A concessão do título foi aclamada por unanimidade pelos 47 conselheiros presentes à solenidade, coordenada pelo reitor José Bites, presidente do Consu. Participaram também parlamentares, secretários do governo estadual, representantes da comunidade acadêmica e de povos indígenas, entre outros convidados.

O cacique Babau é o quarto indígena brasileiro a receber essa honraria de uma universidade do país. Os caciques Raoni, Ailton Krenak e Caboclinho, também receberam a homenagem das universidades Estadual do Mato Grosso (Unemat), Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Federal do Pará (Ufpa), respectivamente.

“Recebemos juntos esse título. Ele não é meu, é do nosso povo, da nossa luta, é do Brasil! Esse título vem quebrar o ciclo de violência, discriminação e apagamento da história indígena do país. Isso significa que a academia está olhando para os nossos conhecimentos, para os nossos saberes,  e isso vai dar força para outros povos trilharem esse caminho, saberem que vale a pena defender a natureza, a vida, defender o outro”, destacou o líder em seus agradecimentos.

O reitor pontuou a sincronicidade da data de outorga com mais um dia marcado pela luta dos indígenas brasileiros, cujos representantes acampados em Brasília se manifestaram pela não aprovação da tese do “marco temporal”, defendida no Projeto de Lei 490/2007, que coloca em risco os povos e as terras indígenas já demarcadas, abrindo-as à exploração econômica predatória.

Líder mostra diploma da UNEB

“Reconhecer nessas lideranças o valor de suas ações é manter vivas a alma e a natureza inquieta desse espaço que é a universidade. Os povos originários foram e são os guardiões da natureza; são a memória de um tempo que não se perdeu em respeito às tradições. Somos mais indígenas do que podemos imaginar. Reconhecer a luta desses irmãos é reconhecer a nossa história, é lutar juntos e, juntos, construir um país melhor”, afirmou Bites.

O proponente da honraria, o estudante de Pedagogia Vitor Amaral, também participou da cerimônia. Ele apresentou a trajetória de vida e luta do cacique Babau, e recordou como nasceu e foi construída a proposta de concessão do título, encaminhada ao Conselho Universitário em 2019.

Segundo o estudante, a ideia surgiu durante o Fórum Social Mundial realizado em Salvador em 2018, a partir de uma conversa com a professora Maria Geovanda Batista, coordenadora Centro de Estudos e Pesquisas Intercultural da Temática Indígena (Cepiti) da UNEB. À época, Vitor era representante discente no Consu.

A atuação social da universidade voltada aos povos indígenas também foi destacada na sessão especial. Foram citados, como exemplo, a pioneira política de cotas da instituição para acesso aos cursos de graduação e pós-graduação; o Cepiti e os centros de Estudos dos Povos Afro-Índio-​Americanos (Cepaia) e de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação (Opará); os curso de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena (Liceei) e de Pedagogia Intercultural em Educação Escolar Indígena, além dos grupos de pesquisa de saberes indígenas da UNEB.

No rito de outorga, cacique Babau recebeu de sua irmã, Glicéria Tupinambá, as vestes talares e o diploma de Doutor Honoris Causa, enviados pela universidade. O líder agradeceu e retribuiu a honraria presenteando a universidade com dois tacapes, especialmente produzidos por sua aldeia, que serão entregues ao reitor e à professora Geovanda Batista.

Em quase toda a cerimônia, Babau trajou um manto tupinambá, confeccionado por sua irmã particularmente para a ocasião. “Neste manto, reuni a força da luta, da terra e dos pássaros, fortalecendo-o com toda a sabedoria e a energia da natureza”, ressaltou Glicéria.

A sessão foi encerrada com a execução do Hino ao 2 de Julho, pela dupla musical Os Desatinados.

Babau trajando as vestes talares

Honraria maior

O título de Doutor Honoris Causa é conferido pela UNEB a educadores, cientistas, pesquisadores e personalidades eminentes, nacionais ou estrangeiros, não pertencentes ao quadro da universidade, que tenham prestado serviços relevantes ao ensino, pesquisa, cultura, letras e artes.

O processo da outorga do título ao cacique Babau demandou visita de membros do Consu à aldeia da Serra do Padeiro, em Buerarema, no sul da Bahia, terra tupinambá.

No encontro, constatou-se a contribuição da liderança de Babau para a sua comunidade e para outras nações indígenas do Brasil, por meio dos saberes ancestrais que ele pratica, em defesa dos direitos humanos, da terra e da natureza.

Líder tupinambá

Registrado civilmente como Rosivaldo Ferreira da Silva, cacique Babau é uma grande liderança na Terra Indígena Tupinambá situada nos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, região sul do estado, na qual habitam mais de 4,6 mil indígenas.

A região vive atualmente em conflito fundiário. Devido ao confrontos, Babau já foi preso diversas vezes e teve sua vida ameaçada por defender os direitos dos povos indígenas locais.

A perseguição ao cacique ganhou a atenção de organizações mundiais de direitos humanos, as quais solicitaram ao governo brasileiro medidas efetivas de proteção ao líder indígena.

Em 2018, Babau foi condecorado também com a Comenda Dois de Julho, da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), em reconhecimento por sua luta em defesa dos direitos dos povos indígenas.

Veja também:

– Reportagem especial
Cacique Babau: cientista da resistência, devoto dos saberes ancestrais e patrono do direito à terra

– Podcast Fala, Balbúrdia!
Ciência da Resistência: a trajetória do cacique Babau e a luta pelo direito à terra
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Fotos: prints da TV UNEB, Ascom e acervo pessoal.

UNEB concede título Doutor Honoris Causa ao Cacique Babau Tupinambá nesta quarta (30), 19h

A UNEB vai realizar a cerimônia de outorga de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, nesta quarta-feira (30), às 19h, com transmissão online, no canal da TV UNEB, no YouTube.

A honraria foi aprovada, em 2019, pelos membros do Conselho Universitário (Consu) da universidade e proposta pelo então representante discente do órgão, Vitor Amaral.

“Cacique Babau é uma personalidade conhecida internacionalmente como referência de luta pelos povos indígenas do Brasil. O título concedido a ele é uma forma de homenagem ao povo tupinambá, aos povos indígenas e aos nossos antepassados. Iniciativas como esta fortalecem o papel da universidade de ser democrática e promover igualdade de condições e direitos entre os diferentes povos”, destacou Vitor Amaral, estudante de Pedagogia do campus de Teixeira de Freitas da instituição.

A solenidade será presidida pelo reitor José Bites de Carvalho e vice-reitor Marcelo Ávila, e contará ainda com a presença dos membros do Consu e da comunidade acadêmica da universidade.

Indicação da honraria

O título de Doutor Honoris Causa da UNEB é conferido a professores, cientistas, educadores e personagens eminentes, nacionais ou estrangeiros, não pertencentes ao quadro da universidade, que tenham prestado serviços relevantes ao ensino, à pesquisa, às letras ou às artes.

A indicação da honraria é feita pelo reitor, diretor de departamento e conselheiros do Consu da instituição, e aprovado pelo conselho universitário, em sessão especial e por voto secreto, sendo exigidos 2/3 de votos favoráveis.

Já foram agraciados com a maior honraria da universidade o então presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, o dramaturgo e ativista político, Abdias do Nascimento, e o historiador e escritor baiano, Luís Henrique Tavares. Também receberam o título a líder religiosa, Mãe Stella de Oxóssi, e o educador e primeiro reitor da universidade, Edivaldo Boaventura.

Cacique Babau, grande líder indígena Tupinambá

Também conhecido como Rosivaldo Ferreira da Silva, Babau é líder na Terra Indígena Tupinambá, situada nos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, região sul da Bahia, na qual vivem mais de 4,6 mil indígenas.

A região vive na atualidade em conflito fundiário. Por conta dos confrontos, o cacique já foi preso diversas vezes e teve sua vida supostamente ameaçada por defender os direitos dos povos indígenas na localidade.

A perseguição ao cacique ganhou atenção das entidades de Direitos Humanos mundiais e cobranças ao governo brasileiro para medidas de proteção ao líder indígena.

Em 2018, Babau recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), a Comenda Dois de Julho, em reconhecimento pela sua luta na defesa dos direitos dos povos indígenas.

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Assista toda a cerimônia de outorga do título no Canal da TV UNEB, no YouTube

Os cumprimentos ao Cacique Babau Tupinambá podem ser enviados em formato de texto ou vídeo para o e-mail titulodhcbabau@uneb.br  até o dia 30 de junho.

UNEB lamenta falecimento do doutor honoris causa e ex-governador Waldir Pires

A Reitoria da UNEB comunica, com profundo pesar, o falecimento do doutor honoris causa da universidade e ex-governador do estado da Bahia, Waldir Pires, aos 91 anos, nesta sexta-feira (22).

Francisco Waldir Pires de Souza foi dono de um longo currículo de realizações acadêmicas, administrativas e políticas – nas esferas estadual e federal.

Bacharel em Direito pela Ufba, ele foi professor da Universidade Católica da Bahia; coordenador dos cursos de Direito e docente da UnB; professor da Faculdade de Direito da Universidade de Dijon (França) e do Instituto de Altos Estudos da América Latina, na Universidade de Paris (1966-1970).

Waldir Pires foi ministro da Previdência Social (1985/1986); do Controle e Transparência – Chefe da Controladoria Geral da União (2003/2006); da Defesa (2006/2007). Foi também governador do estado da Bahia (1986/87), consultor-geral da República (1963/1964) e secretário de Estado (1951/1953).

Em sua atuação como legislador, foi deputado estadual (1955/1958), deputado federal em três mandatos (1959/1962), (1990/1993), (1999/2002) e vereador da cidade de Salvador (2013/2016).

“Incumbe-nos lutar, resistir e insistir nos sonhos de construção da democracia que reúna todos, que abranja a todos e que assegure a vida de todos”, destacou Waldir Pires quando laureado doutor honoris causa da Universidade do Estado da Bahia, em solenidade realizada no dia 17 de outubro de 2016.

Ele foi prestigiado por autoridades, parlamentares, acadêmicos, artistas e lideranças comunitárias quando tornou-se detentor da honraria máxima possível ofertada pela instituição.

Universidade do Estado da Bahia (UNEB)