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UNEB consternada com o falecimento da Ialorixá e Doutora Honoris Causa Mãe Stella de Oxóssi

Com profundo pesar, a comunidade acadêmica da UNEB recebe a notícia do falecimento, hoje (27), da Ialorixá e Doutora Honoris Causa da universidade, Mãe Stella de Oxóssi, aos 93 anos, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia.
Sacerdotisa do terreiro Ilê Axé Opô Afonja, no bairro do São Gonçalo, em Salvador, desde 1976, ela é símbolo da defesa do Candomblé enquanto religião, do combate ao racismo e à intolerância religiosa e também da luta em prol do respeito à diversidade.
Enfermeira de formação, a Ialorixá também foi escritora. Laureada Doutora Honoris Causa da UNEB em 2009, durante as comemorações dos 70 anos de iniciação religiosa, ela ocupou ainda a cadeira 33 da Academia de Letras da Bahia (Poltrona Castro Alves).
A proposta da honraria concedida pela universidade foi sugerida pelas professoras Yeda Pessoa de Castro, Márcia Rios, Norma Lopes e Rosa Helena Blanco.
O título de Doutor Honoris Causa é recebido por pessoas que tenham se distinguido de forma significativa por seus conhecimentos ou atuação em defesa das Artes, das Ciências ou do melhor entendimento entre os povos.
Mãe Stella é autora dos livros “E daí Aconteceu o Encanto” (1988), em parceria com Cléo Martins; “Meu Tempo é Agora” (1993); “Oxóssi, o Caçador de Alegrias” (2006); “Owé-Provérbios” (2007); “Epé Laiyé-Terra Viva” (2009); e “O que as folhas cantam: (para quem canta folha)” (2014), ao lado de sua companheira Graziela Domini.
Como sucessora de Mãe Ondina, no Ilê Axé Opô Afonja, tornou-se uma das principais líderes religiosas do país. Além dos títulos e honrarias citadas, ela foi também agraciada com as Medalhas Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador; da Ordem do Cavaleiro, do Governo da Bahia; com a Comenda do Ministério da Cultura; e com outro título de Doutora Honoris Causa, da Ufba.
Ela ainda foi responsável pela instalação, no Ilê Axé Opô Afonjá, do Museu Ohun Lailai e da Escola Eugência Anna dos Santos, que é uma das referências no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.
Foto: Cindi Rios, com arte de Adriano Reis/Ascom
Aniversário de Mãe Stella de Oxóssi marca parceria entre UNEB e Terreiro

O evento aconteceu no Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá e contou com a presença da comunidade religiosa e civil.
A UNEB apresentou, na manhã de hoje (2), o Acordo de Cooperação Técnica que estabelece parceria entre a universidade e o Terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá.
O evento aconteceu no terreiro, localizado no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador, e foi presidido por Mãe Stella de Oxóssi, que completa 91 anos nesta segunda-feira. De acordo com a Ialorixá, o seu presente de aniversário não poderia ter sido melhor. “Esse acordo é para nós uma vitória, mais um passo a frente em busca da evolução, conhecimento e respeito” comemorou.
Publicado no Diário Oficial do Estado da Bahia, no último dia 30 de abril, o acordo, que tem validade de cinco anos, tem a finalidade de instituir a colaboração técnica para desenvolver o Programa Permanente de Difusão Científica, Cultural e Artística, visando implementar ações de interesse comum entre a UNEB e o Ilê Axé Opô Afonjá.
A parceria contempla, entre outras ações, a digitalização e divulgação do acervo histórico da Sociedade Civil Cruz Santa do Opô Afonjá, fundada em 1936, e o fortalecimento das atividades da Animoteca, biblioteca móvel idealizada por Mãe Stella.
“Ter um espaço de cooperação mútua entre duas instituições como estas é de grande valia pelo retorno positivo que proporciona à população, que agora terá acesso a importantes registros históricos” destacou Gildeci Leite, assessor de Projetos Interinstitucionais para a Difusão Cultural (Apidic) da UNEB, que representou o reitor da universidade José Bites de Carvalho no evento.
Para Ribamar Feitosa Daniel, presidente da Sociedade Civil Cruz Santa do Opô Afonjá, tornar os arquivos e atas acessíveis à população representa um grande conquista. “Essa parceria vai nos ajudar a disseminar a nossa história de luta e resistência” destacou, Ribamar, lembrando que este ano a Sociedade Civil comemora 80 anos de fundação.
O evento contou com a participação da comunidade religiosa e civil.
Fotos: Juliana Cardoso/Ascom