Tag Archives: quilombolas

Nova edição do Afrocultura reforça protagonismo de mulheres negras e comunidades quilombolas

Evento reuniu comunidade acadêmica e estudantes e professores da educação básica

A UNEB realizou o VII Afrocultura nesta quarta-feira (19) no teatro da universidade, Campus I, em Salvador, reunindo a comunidade acadêmica, estudantes e professores da educação básica da rede pública, lideranças comunitárias e movimentos artísticos e culturais.

Organizado por servidores técnicos administrativos do próprio Teatro UNEB, o evento trouxe como tema nessa sétima edição “Movimento Negro no Brasil e a resistência dos quilombolas“, com extensa programação durante todo o dia, também em áreas externas do campus.

Anajara Sacramento

A ação integra as atividades do Novembro Negro na universidade, sendo voltada para o fortalecimento da identidade e cultura negras e da luta antirracista e por igualdade.

Convidada do evento, Anajara Sacramento, instrutora do Serviço Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) em Salvador, considerou que a realização do Afrocultura na UNEB tem “forte impacto simbólico e pedagógico“.

“É essencial reforçar que consciência negra não deve ser discutida apenas em novembro. Hoje, estar aqui, com jovens negros da periferia, é afirmar que a universidade é um espaço deles. Muitos não se reconhecem como pertencentes a este lugar, mas estamos aqui para mostrar que podem, sim, ocupar este campus”, afirmou a instrutora.

Representante do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro de Engomadeira, que integrava um antigo quilombo no Cabula, onde se localizava o campus da UNEB, Luise Santana ressaltou a importância histórica da mulher negra como força econômica.

Luise Santana

“Reconhecemos a mulher como pilar da família e líder de muitos grupos monoparentais. Engomadeira carrega no nome uma herança ligada ao trabalho das antigas lavadeiras e engomadeiras, mulheres negras que criaram empreendimentos capazes de sustentar suas famílias. Esse legado precisa ser visibilizado, e o Afrocultura está trazendo também essa questão do empreendedorismo feminino”, disse a representante do Cras.

Já a professora aposentada da educação básica Maria José Neris enfatizou a importância dos debates raciais dentro e fora das escolas. “O racismo estrutural faz com que o próprio negro internalize expectativas limitantes sobre seu lugar social. A escola precisa trabalhar para que estudantes negros entendam que seu lugar é em todos os espaços”, observou.

A docente salientou também o significado da universidade no contexto da reparação social: “Trabalhamos com os estudantes a importância das cotas raciais e da presença negra na universidade. A UNEB tem sido uma ponte para que esses jovens se vejam pertencentes ao ensino superior”.

Valorização da cultura afro-baiana

Ricardo Moreno

De acordo com os organizadores, o Afrocultura é um evento que busca educar, mobilizar e transformar, além de reafirmar a UNEB como espaço de resistência, memória, protagonismo negro e construção de futuros.

O servidor técnico da instituição Ailton Ferreira, conhecido pelos colegas como Baê, idealizador do evento, comemorou a evolução do Afrocultura a cada edição. “Nosso objetivo com esta ação sempre foi abrir as portas da universidade para as crianças e jovens negros, mostrar que este é um espaço gratuito e de excelência. Em cada ano, sinto grande alegria ao perceber o brilho no olhar das crianças que participam aqui, porque elas são o futuro”.

O VII Afrocultura, explicou Ailton Ferreira, “deu protagonismo às terras quilombolas, sobretudo diante de conflitos e violências que atingem esses territórios e precisamos tratar disso com seriedade”.

Ivo Ferreira

Representando a Reitoria da UNEB, o secretário especial de Articulação Interinstitucional (Seai) da instituição, Ricardo Moreno, reforçou que “o Afrocultura é uma iniciativa dos servidores apoiada pelas instâncias institucionais da universidade devido à relevância do projeto: “Este evento valoriza a cultura afro-baiana, promove debates importantes – a exemplo da mesa sobre os 100 anos de Clóvis Moura [sociólogo, historiador e militante político, cuja obra pioneira é referência para a compreensão da resistência negra e do racismo estrutural no Brasil] –, sempre apresentando uma programação artística e cultural muito rica, com samba, dança, capoeira, desfiles e apresentações artísticas. É motivo de orgulho apoiar esta atividade”, assinalou.

Segundo o escritor e professor do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) Ivo Ferreira, o Afrocultura cumpre papel essencial na formação da juventude negra: “Fiquei impressionado com o engajamento das crianças. O letramento racial precisa começar cedo. Mostrar a elas sua identidade e seu lugar no mundo contribui para uma democracia mais forte e uma sociedade mais igualitária. Com base no princípio africano do Sankofa, de olhar para o passado para construir o futuro, precisamos valorizar nossa herança africana não apenas em novembro, mas durante todo o ano”.

Texto: Marcus Gomes/Ascom, com edição de Toni Vasconcelos/Ascom. Fotos: Marcus Gomes.

VII Afrocultura debate resistência dos quilombolas: nesta quarta-feira, dia 19/11, em Salvador  

 Nesta quarta-feira, dia 19, a partir das 8h, os servidores técnicos do Teatro UNEB promovem o VII Afrocultura. Essa edição terá como tema o “Movimento Negro no Brasil e a Resistência dos Quilombolas” e acontecerá no próprio teatro, no Campus I, em Salvador.  

A programação reunirá atividades diversas, como oficinas, apresentações culturais, rodas de conversa, exposições e debates acadêmicos.  O evento faz parte da programação do mês da Consciência Negra e tem como objetivo constituir um espaço de valorização da cultura negra e de mobilização social.

A iniciativa reforça o compromisso da UNEB com a luta antirracista e a cultura afro-brasileira. A proposta é fortalecer o diálogo entre universidade e comunidade, promovendo reflexões sobre identidade, ancestralidade, direitos e combate ao racismo 

Dessa maneira a comunidade acadêmica terá a oportunidade de se reunir a estudantes e professores das escolas redes de ensino estadual e municipal em um evento cultural que dialoga sobre a consciência negra.  

Seis estudantes quilombolas do UPT Juazeiro são aprovados no Vestibular UNEB 2019

Seis estudantes do Projeto Universidade Para todos (UPT) da Comunidade Quilombola do Alagadiço, em Juazeiro, foram aprovados no Vestibular UNEB 2019.

De acordo com o coordenador do UPT, em Juazeiro, Élio Batista, todos os aprovados concorreram pelo sistema de cotas da UNEB para os cursos de Administração (3), Pedagogia (2) e Jornalismo (1).

O pré-vestibular social foi implantado a partir de uma solicitação à UNEB, por meio do Projeto Perfil Fitoetnogratico das Comunidades Quilombolas do Submédio São Francisco: identidades em movimento, coordenado pela professora da universidade, Márcia Guena.

“Acredito que o saldo positivo dessa ação deverá promover uma elevação da autoestima dessas comunidades que carecem de iniciativas que gerem oportunidades de acesso ao Ensino Superior”, destacou a docente.

O Projeto Universidade para Todos, criado pelo governo do Estado da Bahia, é coordenado pela Secretaria da Educação e executado em parceria com a UNEB e as outras três Universidades Estaduais (Uefs, Uesb, Uesc). Trata-se de uma ação voltada para fortalecer a política de acesso à Educação Superior, direcionada a estudantes concluintes e egressos do ensino médio da rede pública estadual.

UNEB participa do Fórum Social Mundial 2018 com extensa programação gratuita

A UNEB vai participar do Fórum Social Mundial (FSM 2018), que acontece entre os dias 14 e 17 de março, com extensa programação gratuita e aberta ao público.

Entre as atividades já confirmadas estão a Plenária dos Povos e Comunidades Tradicionais Africanas e de Terreiros, que acontecerá nos dias 14 e 15 de março no teatro da Universidade, em Salvador.

A iniciativa reserva debates distribuídos em seis eixos temáticos, entre eles: Crimes e Racismo Religioso, Articulação Política e Organização, e Na encruzilhada da Contemporaneidade.

A programação na UNEB conta ainda com o Fórum Estadual de Educação do Campo (FEEC/Bahia), no dia 14 de março, com a realização de relatos de experiência e plenária sobre Educação do Campo, Políticas Públicas e Democracia.

O evento terá ainda debates sobre Territoriedade Quilombola: conquistas e desafios; Educação Popular e Formação Política junto aos Movimentos Sociais; Comunicação Acessível como Direito Humanos; e A Extensão Universitária e sua Contribuição para a Transformação Social, além de atividades políticas e culturais.

Confira abaixo a programação atualizada:

Além das ações que serão realizadas e acolhidas na UNEB, a universidade também participará do FSM 2018 em outros espaços através de palestras, rodas de conversas, lançamentos de livros. Destaque para a Conferência O dia do Samba e Édison Carneiro, que será proferida pelo professor Gildeci Leite no dia 14, às 14h, em local a ser definido.

A programação cultural também será extensa e contará com diversas atrações como o Malê de Balê, o Sarau da Onça e o Samba de Quilombo. O Coro Oyá Igbalé, da UNEB,  também integrará as ações do FSM, com apresentação no dia 15 de março, das 16h às 17h, no Auditório Jurandyr Oliveira, no Departamento de Educação (DEDC) do Campus da universidade, em Salvador.

Informações: unebforumsocialmundial@gmail.com.

UNEB divulga nota de apoio à campanha nacional Nenhum Quilombo a Menos

NOTA DE APOIO À CAMPANHA NENHUM QUILOMBO A MENOS

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) vem a público expressar irrestrito apoio à campanha nacional Nenhum Quilombo a Menos, que visa sensibilizar o Supremo Tribunal Federal (STF) para que reconheça a constitucionalidade do Decreto 4.887/2003, assegurando os direitos das comunidades quilombolas brasileiras.

No próximo dia 16 de agosto, o STF julgará uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra o referido decreto, que regula a titulação de territórios quilombolas em todo o país. Se aprovada a ADI, os quilombos já titulados podem ser anulados, prejudicando milhares de brasileiros descendentes de africanos escravizados.

Dessa forma, a UNEB associa-se à Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e diversas organizações da sociedade civil que participam dessa campanha, conclamando toda a comunidade acadêmica a assinar esta petição: https://peticoes.socioambiental.org/nenhum-quilombo-a-menos.

O Brasil é quilombola! Nenhum quilombo a menos!

Salvador, 1º de agosto de 2017.
Reitoria da UNEB