UNEB marca presença em conferência que celebrou os 27 anos do Pronera

Evento reuniu lideranças e especialistas para celebrar a relevância do Pronera na educação brasileira.

A UNEB esteve representada na conferência comemorativa dos 27 anos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O evento, realizado na última terça-feira (15), foi transmitido pelo canal da TV Fonec, no YouTube.

A iniciativa reuniu importantes lideranças e especialistas para celebrar a relevância e o impacto histórico do Pronera na educação brasileira. Entre os participantes estavam a reitora da UNEB, Adriana Marmori, o presidente do Incra, César Aldrighi, e a representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Edjane Rodrigues.

Como única reitora convidada, Adriana Marmori, destacou a relevância do Pronera para a democratização do ensino e a valorização dos saberes dos povos da reforma agrária. “A educação do campo nas universidades brasileiras está intrinsecamente ligada à história e a memória do Pronera. Essa trajetória reafirma a relevância do programa que nasceu da resistência dos movimentos sociais campesinos, garantindo direitos constitucionais à educação em todos os níveis. O Pronera está baseado em princípios de emancipação, equidade, solidariedade e sustentabilidade, promovendo uma sociedade mais democrática e inclusiva”, ressaltou.

Ainda em seu pronunciamento, a reitora frisou a importância da educação do campo para a transformação social. “O Pronera reforça que uma sociedade só avança com educação de qualidade para todos, sustentando 27 anos de impactos positivos. Comemorar essa história é valorizar cada contribuição feita por educadores, técnicos, estudantes e instituições, cujas ações deixam marcas tanto institucionais quanto pessoais”.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Aldrighi, salientou a relevância do programa para a promoção da educação do campo e o fortalecimento da reforma agrária. “O Pronera é fruto da luta pela reforma agrária e forma pessoas que alimentam essa causa há 27 anos. Retomar o Pronera em 2023 exigiu reorganização e ampliação do orçamento, além de parcerias com universidades e iniciativas locais. Nosso compromisso é fortalecer essa política pública que promove educação do campo e democracia”, afirmou.

A representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Edjane Rodrigues, enfatizou a importância da continuidade do Pronera. “É extraordinário perceber a trajetória do Pronera, que nasceu das mãos da classe trabalhadora e se consolidou como um pilar da educação do campo. Desde 1998, o programa promove o desenvolvimento rural sustentável, valorizando culturas, saberes e a participação popular. Seguimos comprometidos com seu fortalecimento, garantindo orçamento e continuidade para transformar vidas e empoderar comunidades rurais”, disse.

O evento também contou com a participação dos representantes da CPN, Edgar Kolling, Incra/Pronera, Clarice Santos, e a líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Fátima Ribeiro, que trouxeram o contexto histórico e reflexões sobre os desafios e perspectivas para o futuro do programa.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) é uma política pública que visa garantir o direito à educação, em conexão com o direito à terra, nas áreas de reforma agrária.

Financiado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), sob a responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o programa é executado por universidades públicas, com o objetivo de atender às demandas históricas dos movimentos sociais e sindicais do campo por uma educação de qualidade.

Implantação do Pronera na UNEB

Exposição realizada pelos discentes do programa na UNEB.

Devido à sua capilaridade e estrutura multicampi, a UNEB desempenha um papel essencial na história do Pronera no estado da Bahia. Implantado em 1999, o programa foi viabilizado graças à mobilização dos docentes Ivone Prado e Lourisvaldo Valentim, que na época representavam a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade. Por meio do engajamento de professores e técnicos, a UNEB deu início às suas ações junto aos assentamentos e acampamentos de reforma agrária no estado.

O programa teve início na Universidade com o Projeto de Educação e Capacitação de Jovens e Adultos em áreas de Reforma Agrária, cujo objetivo era promover a educação e alfabetização desses grupos em assentamentos da Reforma Agrária. Além disso, buscava complementar a escolaridade dos monitores, contribuindo para sua formação cidadã e atuação como alfabetizadores. O projeto também permitiu estabelecer mecanismos de interação entre as atividades acadêmicas da Universidade e a realidade social, por meio do engajamento de professores e estudantes nas ações desenvolvidas.

Atividades com a turma do Pronera em ambiente externo na UNEB.

O projeto foi implementado nos campi da UNEBem Barreiras, Teixeira de Freitas, Irecê e Bom Jesus da Lapa. No ano de 2001, a iniciativa foi ampliada,com turmas vinculadas, para os campide Alagoinhas, Juazeiro, Jacobina, Barreiras, Teixeira de Freitas, Irecê, Bom Jesus da Lapa e Eunápolis.

Entre 1999 e 2018, foram desenvolvidos oito projetos e 12 cursos, envolvendo a participação de 13 departamentos da instituição e alcançando um público de mais de 13 mil estudantes.

Atividades do Pronera promovidas em sala de aula na UNEB.

“O Pronera na UNEB, ao longo de seus 19 anos de execução de projetos, acumulou uma significativa experiência na produção científica e na circulação de conhecimento em Educação do Campo. Essa trajetória foi marcada pelo diálogo entre o saber acadêmico e as experiências dos movimentos sociais e sindicais, através de relações institucionais essenciais para a manutenção e realização das ações do Programa”, destaca a reitora da UNEB, Adriana Marmori.

A partir dos projetos desenvolvidos pelo Pronera, a UNEB introduziu elementos inovadores na área da educação do campo. Entre os avanços estão a construção da Política de Educação do Campo na Universidade, a ampliação do acesso a diversos cursos, a produção de conhecimento, a oferta de cursos fora da sede, a realização de vestibulares específicos e a inclusão de disciplinas voltadas à educação do campo. Além disso, foram implementados cursos regulares com tempos diferenciados, bolsas de alternância e o Centro Acadêmico de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial Paulo Freire (CAECDT).

Texto: Danilo Cordeiro/Ascom
*Com informações e colaboração de Joseane Alves/Caecdt
Fotos: prints TV Fonec/YouTube e equipe executora do Pronera/UNEB