
A abertura do II Pré-Colóquio Internacional Paulo Freire ocorreu ontem (29), no Teatro da UNEB, em Salvador. Com o tema central “Dialogicidade, Conscientização e Criticidade: o caminho se faz caminhando”, o evento reuniu pesquisadores, estudantes e movimentos sociais para debater o legado do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, frente aos desafios do século XXI.

Durante a mesa institucional, a vice-reitora da UNEB, Dayse Lago, refletiu sobre a urgência de reafirmar os valores freirianos na atualidade. Segundo a gestora, educar hoje exige o enfrentamento de lógicas de controle: “Reafirmar o diálogo, a escuta e a esperança freiriana é mais do que necessário, é urgente. Os estudos freirianos apresentam uma postura ética e política diante do mundo que nos convoca à reflexão crítica, ao compromisso com a justiça social e à construção de práticas pedagógicas emancipadora”, declarou a vice-reitora.
A proposta do evento é o compartilhamento de saberes através de quatro eixos fundamentais: Educação Popular, Movimentos Sociais e Democracia; Educação, Direitos Humanos, Políticas Públicas, Inclusão e Cultura de Paz; Educação Emancipatória, Novas Tecnologias e Inteligência Artificial; Currículos, Didáticas, Práticas Educativas e Interculturalidade na Perspectiva Freireana.
Para a professora Edite Maria, coordenadora local e organizadora do evento, o Pré-Colóquio é um marco para a produção de conhecimento na universidade: “Ele configura-se como um espaço-tempo de encontro e produção coletiva de saberes, tomando como referência os princípios do professor Paulo Freire. É uma honra recebermos pessoas de diferentes territórios baianos, brasileiros e internacionais.”

Em seguida à mesa de abertura foi realizada uma roda de diálogo com a professora Maria Erivalda , presidente do Centro Paulo Freire. Ela destacou que a pedagogia de Freire não é apenas teórica, mas um ato de resistência prática contra a desinformação:
“Falar de dialogicidade hoje é perguntar o que significa sustentar essas categorias em um tempo atravessado por desinformação, negação da ciência e precarização da vida. Afirmar a dialogicidade hoje é um gesto radical; é compromisso ético com o outro e reconhecimento de que ninguém educa ninguém sozinho.”, afirmou Maria Erivalda.
O evento segue nesta quarta-feira (30) com círculos de cultura e mesa de encerramento no Departamento de Educação (DEDC) do Campus I.
Texto: Leandro Pessoa Fotos: Ingrid Oliveira